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Brincadeira de cientistas

Publicado por admin - Thursday, 18 November 2010

ELETRÔNICA

Depois de quase um ano de produção, alunos da USP lançam novo game, o Horus Eye, ambientado no Egito antigo

MARCELO HENRIQUE NASCIMENTO_____________
USPonline

Um grupo de desenvolvimento de jogos eletrônicos, o USPGameDev, formado por alunos do Instituto de Matemática e Estatística (IME), da Escola Politécnica (EP) e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, lançou o seu primeiro jogo, chamado Horus Eye, no dia 15 de outubro. De acordo com Vinícius Kiwi Daros, aluno do IME e integrante do grupo, o jogo “superou as expectativas”.
O processo de produção, que durou pouco menos de um ano, foi dividido em duas etapas principais: o desenvolvimento de um framework (a base sobre a qual o jogo é desenvolvido), na qual a maior parte do tempo foi gasto, e posteriormente a criação e produção do jogo em si. Segundo Daros, esse processo tem a vantagem de que agora pode-se produzir outros jogos utilizando a mesma base.
A formação do grupo foi uma iniciativa de Giuliano Salcas Olguin, orientador pedagógico da Escola Politécnica, que percebeu o interesse de alunos de sua faculdade pela área de desenvolvimento de jogos, imaginou que o mesmo ocorreria no IME e iniciou contatos. Assim, em novembro de 2009, realizou-se a primeira reunião do grupo, com alunos de Ciência da Computação e de Engenharia da Computação. A formação foi sofrendo alterações com o decorrer do tempo, como a entrada de uma aluna do curso de Design da FAU e de outros, além da saída de alguns.
Outro ponto interessante é a quase independência de ação dos alunos que formam o grupo, sem uma hierarquia ou algum professor impondo o que deve ser feito. Isso é o que o professor do IME Flávio Soares da Silva, mediador entre o grupo e a Universidade, como forma de institucionalizá-lo, chamou de um “processo autogerido”. De acordo com o aluno Vinícius Daros, tudo é resolvido na base do diálogo. “A gente conversa e vê quais são os objetivos”, afirma.
Em Horus Eye, jogo que se passa no Egito antigo, o protagonista tem como missão destruir as múmias que um faraó está revivendo, e assim chegar até o vilão. Ele conta com poderes como magias e disparo de projéteis. Segundo o aluno Vinícius Daros, o jogo não foi projetado para um público específico, e qualquer jogador casual pode concluí-lo em aproximadamente 30 minutos.

Importância – O professor Flávio Silva destacou os pontos principais que ele considera que resumem a importância que o grupo tem para a Universidade e para os alunos. Primeiramente está o fato de os jogos serem um recurso didático excelente para a área de computação. Isso porque é necessário um conhecimento amplo de diversas ferramentas para desenvolvê-los, o que dá ao processo de produção de um jogo um caráter de integração do conhecimento.
Exatamente por isso o fator tempo não é considerado um grande problema. “É um laboratório didático, não uma fábrica de jogos”, afirmou Silva. O próprio grupo, portanto, decidiu manter o mesmo foco no processo de produção dos próximos projetos, mesmo que esse caminho seja mais “penoso”.
Outro ponto é a iniciativa da formação e desenvolvimento de grupos sobre temas específicos partindo dos próprios alunos. O que, de acordo com Daros, “ajuda a quebrar a inércia, pois muitas vezes o aluno entra e fica acomodado. Ninguém faz nada além”. Até por esse motivo, Silva afirma que, com o sucesso do USPGameDev, existe um projeto no IME para a criação de laboratório, que teria caráter rotativo, para abrigar iniciativas como essa. Há ainda o fato de um trabalho como esse direcionar atividades didáticas para o emprendendorismo, o que Silva considera importante na formação dos alunos.

O jogo desenvolvido por alunos da USP: um excelente recurso didático para a área de computação

Reconhecimento – Representantes de três universidades francesas que têm cursos de graduação e pós-graduação relacionados à área de jogos visitaram a USP. Eles viram os resultados das atividades desenvolvidas pelo grupo e se mostraram bastante interessados, chegando a oferecer oportunidade de bolsas de doutorado para os integrantes do USPGameDev.
As atividades do grupo, agora que já foi lançado seu primeiro título, serão divididas em duas frentes: o desenvolvimento de novas versões do Horus Eye, com os melhoramentos que forem considerados necessários, e a criação de novos jogos.
Para isso foi aberto um processo seletivo, encerrado no dia 12 passado, no qual 65 alunos de toda a USP se inscreveram. Isso é importante porque atualmente o grupo está muito concentrado no IME (com apenas um integrante da Escola Politécnica e uma da FAU). Para Daros, a ampliação pode fazer com que “pessoas de fora do IME, com outras experiências e pontos de vista, possam entrar no grupo”. “Os outros veem coisas que nós não vemos”, completa.
Daros também destaca que é importante o grupo não se deixar influenciar totalmente pelo mercado. Para ele, por estar em um ambiente universitário, é necessário que se saia do comum e que se tente inovar em aspectos como interação e jogabilidade. “Não temos que fazer remakes do que já foi feito. Tem que fugir do senso comum”, afirma.
Para conhecer um pouco mais sobre o grupo e fazer o download de Horus Eye, o interessado deve acessar o site do USPGameDev (www.uspgamedev.org). No site também há um fórum aberto, onde é possível discutir assuntos ligados à produção de jogos, além de entrar em contato com os membros da equipe.