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Para prever e evitar o pior

Publicado por admin - Sunday, 17 June 2012

METEOROLOGIA

USP e Defesa Civil assinam protocolo de intenções para a criação do Centro de Previsão Hidrometeorológica, que beneficiará cidades da região metropolitana de São Paulo e Baixada Santista

No dia 15 de maio, a USP firmou um protocolo de intenções com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, para a implantação do Centro de Previsão Hidrometeorológica no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG).

O acordo prevê que o centro forneça informações atualizadas 24 horas por dia durante sete dias da semana, em turnos de oito horas, sobre as condições hidrometeorológicas da região metropolitana de São Paulo, ajudando a Defesa Civil a desenvolver ações preventivas contra desastres naturais causados por eventos climáticos.

Assinado pelo reitor João Grandino Rodas e o chefe da Casa Militar e coordenador estadual da Defesa Civil, Benedito Roberto Meira, o protocolo de intenções faz parte da primeira etapa do processo, que prevê a ampliação e a consolidação das atividades já realizadas pelo Laboratório de Hidrometeorologia (Labhidro), aproveitando parte da estrutura e do trabalho já desenvolvido pelo laboratório.

O diretor do IAG, professor Tércio Ambrizzi, explica que o protocolo foi assinado para mostrar que a USP tem condições de passar o conhecimento desenvolvido no instituto para auxiliar nas situações de prevenção de desastres e eventos climáticos que prejudiquem a população, mas ainda está sendo desenvolvida a segunda fase da parceria.

Na primeira fase, foi desenvolvido, durante quatro meses, um trabalho de boletim meteorológico on-line pelo Labhidro, coordenado pelo professor Augusto José Pereira Filho, com a Defesa Civil da cidade de São Paulo, região metropolitana, do entorno e Baixada Santista, englobando 70 municípios. “Durante esse período, essas prefeituras recebiam boletim on-line, via e-mail, com o que podiam acompanhar a evolução das informações, em tempo atual, e também das próximas horas e do próximo dia. Disponibilizávamos dados atuais de chuva, temperatura, rajada de ventos, possibilidade de novas chuvas e para onde se deslocariam, riscos de ventanias, granizo, loopings de animação de satélites”, explica Pereira Filho.

Para esse trabalho foi formada uma equipe de profissionais em meteorologia, todos eles formados pelo IAG e devidamente contratados e treinados sobre como se identifica um fenômeno climático e sua previsibilidade e sobre os sistemas de monitoramento em radar e satélite.

Qualidade – Ambrizzi ressalta que a primeira fase conseguiu comprovar que a Universidade tem condições de obter informações de qualidade. No entanto, não pode se responsabilizar pela manutenção da equipe de profissionais contratados, pois o objetivo da Universidade é gerar conhecimento e o papel da Defesa Civil é se responsabilizar pela manutenção de pessoal e equipamentos. “Estamos aguardando o retorno da Defesa Civil para dar continuidade ao protocolo de intenções.”

Para Pereira Filho, é de grande importância que a Defesa Civil dê continuidade a esse projeto e juntos possam mudar a visão utilitarista que ainda se faz da meteorologia. “Estamos acostumados a ver a meteorologia apenas como uma atividade dos telejornais, em que alguém fala sobre a temperatura e a precipitação da chuva para o final de semana. Na realidade é muito mais do que isso. Através de um bom levantamento de dados meteorológicos é possível afirmar que ocorrerá determinado evento e, consequentemente, alertar a população em caso de desastres.”

O coordenador lembra ainda que o Centro de Previsão Hidrometeorológica não é importante apenas na época de chuvas, mas também para medir o risco de incêndios rurais e urbanos, o índice de conforto térmico para o inverno, a maior ou menor dispersão de poluentes e a previsão e monitoramento de neblina. “Nosso trabalho é tentar melhorar a qualidade de vida das pessoas, antecipando essas situações para que tomem as devidas precauções. O objetivo é prevenir e não remediar.”

Chuvas, nuvens e ventos monitorados

O Laboratório de Hidrometeorologia (Labhidro) do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) dispõe, para seus trabalhos de pesquisa, de um sistema de previsão hidrometeorológica composto de radar meteorológico MXPol (sistema que se utiliza de micro-ondas para monitorar as nuvens e a chuva num raio de até 150 quilômetro do radar); um sistema de recepção das imagens enviadas pelo satélite Meteosat (MSO); estações meteorológicas instaladas na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), localizada na zona leste de São Paulo, e no Parque Cientec, localizado na zona sul da cidade, perto do Zoológico e Jardim Botânico. Os dados fornecidos por essas estações meteorológicas são inseridos em modelos matemáticos e analisados pela equipe de meteorologistas do Labhidro.

O professor Augusto Pereira Filho: meteorologia a serviço da sociedade

O papel da equipe é desenvolver boletins meteorológicos diários, semanais e extraordinários; emitir alertas de tempestades para as prefeituras e para o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), localizado no Palácio do Governo e ligado à Defesa Civil do Estado, que, com uma página exclusiva na internet com acesso restrito, acessa mapas, gráficos, imagens de satélite e informações detalhadas sobre as condições atmosféricas da região metropolitana da capital e Baixada Santista. Parte dessas imagens também estão disponíveis ao público no site do laboratório (www.labhidro.iag.usp.br).

O laboratório desenvolve pesquisa relacionada com a previsão de chuva e vazão de curto e de curtíssimo prazo por meio de sistemas de medição locais e remotos, modelos numéricos atmosféricos e hidrológicos.

Segundo o professor Augusto Pereira Filho, coordenador do Labhidro, os projetos de pesquisa ligados ao laboratório compreendem a integração de dados de precipitação de sensores locais e remotos, o estudo da camada limite urbana, ilhas de calor e seus efeitos, a caracterização e a modelagem da circulação de brisa marítima e terrestre, entre outras atividades. “O Labhidro ainda desenvolve pesquisa sobre a convecção e sua energética na Amazônia, o ciclo diurno da precipitação na América do Sul por meio de informações de satélites ambientais e radares meteorológicos, além da validação de estimativas de chuva com sensores multiespectrais a bordo de satélites”, explica.

Para o coordenador, vale ressaltar a diferença entre meteorologia e hidrometeorologia. O estudo meteorológico se restringe a informações sobre chuva e temperatura. Já o estudo da hidrometeorologia vai além das medições de chuva e temperatura abrangendo também o estudo da hidrologia, não só da chuva na atmosfera, mas também da chuva que cai em uma bacia hidrográfica, podendo causar sua vazão.