Home » Comunidade

Um cientista e suas múltiplas atividades

Publicado por admin - Sunday, 24 February 2013

HOMENAGEM

Em edição especial, revista científica homenageia o professor da USP Celso de Barros Gomes, geólogo que influenciou gerações e que vem contribuindo para gerar novos conhecimentos sobre a atividade magmática da América do Sul

SYLVIA MIGUEL

Apenas uma olhada nos livros mais recentes publicados pelo professor Celso de Barros Gomes dá uma pequena ideia de sua atuação multifacetada na área acadêmica e científica. O geólogo que pioneiramente difundiu técnicas analíticas instrumentais aplicadas à geologia também se dedicou a áreas tão diversas como a Comunicação Social da USP e a chefia de Gabinete da Reitoria. À parte o administrador, o cientista que tem contribuído para o melhor entendimento da atividade magmática da América do Sul acaba de ser homenageado pelo Journal of South American Earth Sciences.
Em edição especial de janeiro, uma das mais importantes publicações internacionais de ciências da Terra dedica suas páginas ao “Magmatismo alcalino e o manto litosférico: uma edição especial em honra ao trabalho de Celso de Barros Gomes por ocasião de seus 77 anos”, completados em 28 de maio passado.
Os editores convidados Lalchand Govindram Gwalani, Piero Comin-Chiaramonti e Peter Jason Downes incluíram autores e temas que de alguma maneira possuem ligação com os trabalhos do professor Gomes, seja de ex-alunos ou de pesquisadores que foram influenciados por seu “inestimável trabalho”, traz o prefácio. Ele mesmo assina em coautoria dois artigos dessa edição.
Na última década, o potencial mineral de rochas alcalinas e de carbonatitos ganhou notável interesse econômico, especialmente devido às aplicações possíveis em inúmeros ramos. É o caso, por exemplo, do nióbio na área de tecnologia ou do fosfato na agricultura.
O nióbio (Nb) é o elemento de número 41 na tabela periódica dos elementos químicos – que, coincidência ou não, é também o número da edição especial dedicada ao professor.  As três maiores reservas exploradas de nióbio localizam-se no Brasil (Araxá, Minas Gerais; Catalão e Ouvidor, em Goiás) e no Canadá, em Saint Honoré, na província do Quebec. São de origem carbonatítica. “Nós nos dedicamos ao estudo dos aspectos científicos dessas rochas, o que na verdade é o que embasa toda a atividade econômica relacionada à sua exploração”, enfatiza Gomes.
Além da importância econômica, as rochas alcalinas carregam informações valiosas sobre a assinatura isotópica e outras características geoquímicas das zonas mais profundas da Terra, permitindo conhecer o mecanismo da diferenciação magmática. As rochas alcalinas podem ajudar a traçar a evolução da Terra através de sua história geológica, traz texto de apresentação da edição especial dedicada a Gomes.
O volume reúne artigos sobre uma diversidade de aspectos relacionados ao tema, como metassomatismo do manto, petrogênese, geocronologia, geofísica de rochas alcalinas e carbonatitos do Brasil, Itália, China, Marrocos, Madagascar e outras regiões. Modelagens teóricas de processos magmáticos e aplicação de novos sistemas isotópicos também são discutidas.

Celso de Barros Gomes: contribuições para o avanço das ciências da Terra

Microssondas – Os conhecimentos sobre as manifestações do magmatismo alcalino no Brasil e no Paraguai durante os períodos Cenozoico e Mesozoico progrediram consideravelmente com as investigações do grupo ligado ao professor Gomes. “Os estudos do quimismo e das condições de formação de rochas e minerais têm sido possível graças à constituição do Laboratório de Microssonda Eletrônica aqui no Instituto de Geociências da USP”, diz Gomes, responsável pela estruturação do laboratório pioneiro no Brasil, inaugurado em 1973.
As novas instalações do laboratório, entregues em dezembro de 2012, contam com modernos equipamentos comprados de dois fabricantes mundiais – a japonesa Jeol e a francesa Cameca. Custaram US$ 1,6 milhão, integralmente financiado pela Fapesp.  Existe uma versão anterior do laboratório, com uma microssonda comprada em 1992 dentro de um programa de financiamento da USP e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com complementações da Fapesp, que ainda está em funcionamento.
O instrumento que deu grande impulso na análise da composição química presente nos minerais começou a ser difundido a partir de 1969, quando os astronautas trouxeram amostras de solo lunar à Terra.
O professor Gomes estudava nos Estados Unidos e logo se ocupou de trazer as novas técnicas de análise ao Brasil. O Laboratório de Microssonda Eletrônica é o mais tradicional da sua especialidade no País. Pioneiro para a comunidade geológica brasileira, até hoje presta serviços à comunidade externa e a grandes empresas de mineração. O laboratório realiza análises quantitativas e qualitativas sobre a composição de minerais, ligas metálicas e materiais diversos.