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Seis décadas de excelência

Publicado por admin - Thursday, 2 May 2013

COMEMORAÇÃO

Com uma série de homenagens, Escola de Engenharia de São Carlos comemora 60 anos de atividades em favor do desenvolvimento da engenharia e da sociedade brasileira

NATHALIA NICOLA
De São Carlos

O dia 18 de abril foi marcado pelas comemorações dos 60 anos da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, com uma série de homenagens e lançamentos.
O primeiro evento foi a mesa-redonda “Unidades que Nasceram da EESC” e contou com a participação do vice-reitor da USP, Hélio Nogueira da Cruz, do diretor da EESC, Geraldo Roberto Martins da Costa, do pró-reitor de Pesquisa, Marco Antonio Zago, e do pró-reitor de Pós-Graduação, Vahan Agopyan. Na oportunidade, os quatro diretores das demais unidades de ensino e pesquisa do campus da USP de São Carlos deram depoimentos, já que todas são originárias da EESC.

A Escola de Engenharia de São Carlos (acima) e o campus da USP naquela cidade (no alto): morada da tecnologia

Após os discursos, foi lançado o Repositório Digital da EESC, que reúne textos, fotos, vídeos e documentos da história da escola, além de sua produção intelectual. A ferramenta foi desenvolvida em parceria com o Centro de Informática de São Carlos (Cisc).
A data também contou com a inauguração do 6º Pórtico das Décadas, junto ao edifício E-1. O Portal das Décadas é formado por uma escultura interativa de pórticos metálicos, na qual cada peça representa uma década de fundação da EESC, formando uma passagem para os pedestres que cruzam diagonalmente a praça.

Encerrando as atividades do dia, às 19h30, a Câmara Municipal de São Carlos realizou uma sessão solene em homenagem ao aniversário da escola e sua contribuição para o desenvolvimento da cidade, proposta pelo presidente do Legislativo, vereador Marquinho Amaral.
A sessão foi iniciada pelo orador, vereador Lineu Navarro, que destacou a história e os frutos colhidos pela cidade com a vinda da USP. “O polo de tecnologia que aqui se constituiu não foi obra do acaso, mas teve o impulso dos centros de pesquisa nascidos a partir da EESC”, destacou Navarro.
Para falar sobre a EESC, o professor Francisco Antonio Rocco Lahr fez seu pronunciamento baseado nos valores da escola, sua referência, dedicação, determinação e superação de obstáculos. “A EESC é uma muito bem-sucedida consumação do sonho de nossa cidade, uma irrefutável realidade, que já gerou filhos, como os institutos de Física, de Química, de Ciências Matemáticas e de Computação e de Arquitetura”, lembrou Rocco.
Na ocasião, o prefeito municipal Paulo Altomani, ex-aluno do curso de Engenharia Mecânica da EESC, discursou sobre sua trajetória na escola e enfatizou a relação humana entre os professores e os alunos. “Tenho muita gratidão pelo que a USP fez na minha vida e que me tornou hoje prefeito da cidade. Aprendi muito com os professores, técnicos, bibliotecárias e secretárias, que nos acolhiam como filhos. A EESC sempre foi uma grande família para mim”, falou.
Após os pronunciamentos, o presidente da Câmara Municipal entregou ao diretor da EESC um diploma em reconhecimento do papel da instituição na formação de profissionais e pesquisadores no Brasil. O prefeito Paulo Altomani também presenteou o diretor com um cartão de prata de congratulação.
Geraldo Costa agradeceu à população de São Carlos pelo empenho e a união que fizeram com que a EESC viesse para a cidade. “Estamos caminhando junto com São Carlos há 60 anos e tenho certeza de que essa parceria será eterna. Continuaremos a trabalhar pela nossa cidade, dando à população o máximo que pudermos oferecer, como desenvolvimento de novas tecnologias e também o desenvolvimento social. Estamos muito felizes com esta homenagem e agradeço imensamente a todos que lutaram para a vinda da escola e pela sua excelência até hoje”, destacou o diretor da EESC, que presenteou o prefeito e o presidente da Câmara com o símbolo das comemorações.
Participaram da solenidade também o presidente do Cepam, Lobbe Neto, representando o governador Geraldo Alckmin, o deputado federal Newton Lima, o deputado estadual Roberto Massafera, o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Instrumentação, João de Mendonça Naime, e os vereadores Rodson Magno, Laíde Simões, Walcinyr Bragatto e Eduardo Brinquedos, além de professores, funcionários e ex-funcionários da EESC.

O edifício da EESC ainda em construção, nos anos 50 (acima), a primeira turma de Engenharia Civil (ao lado) e a biblioteca da escola nos anos 60 (embaixo): trajetória de serviços à sociedade

História – Norteada pelos princípios da busca pela verdade científica e do serviço à comunidade, a Escola de Engenharia de São Carlos foi implementada através do Projeto de Lei n° 161, de 24 de setembro de 1948, tendo iniciado suas atividades acadêmicas em 18 de abril de 1953, com aula inaugural proferida pelo então governador do Estado de São Paulo, Lucas Nogueira Garcez. Mas essa conquista não foi tão fácil.
Em 25 de julho de 1947, o deputado Miguel Petrilli apresentou à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo o projeto de lei que visava à criação da “Universidade de São Carlos”. Consultada a USP, o projeto, que recebera o nº 10, foi analisado pelo Conselho Universitário, que em 19 de dezembro de 1947 desaprovou a criação de novas universidades no Estado. No ano seguinte, após nova redação contendo emenda pertinente à criação de diversas unidades de ensino superior subordinadas à USP, todas no interior, o projeto foi aprovado pela Assembleia Legislativa, em 20 de agosto de 1948. Finalmente, com a aprovação da Lei nº 161, de 24 de setembro de 1948, promulgada pelo presidente da Assembleia Legislativa, foi criada a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC).
No início, a EESC oferecia apenas os cursos de Engenharia Civil e Engenharia Mecânica. Hoje ela tem dez cursos de graduação (Aeronáutica, Ambiental, Civil, de Computação, Elétrica/Eletrônica, Elétrica/Sistemas de Energia e Automação, Materiais e Manufatura, Mecânica, Mecatrônica e Produção), com a possibilidade de envolvimento com pesquisas através de projetos integrados e atividades extracurriculares.
Segundo o presidente da Comissão de Graduação da EESC, Eduardo Cleto Pires, a expansão das atividades da escola é decorrente da dedicação dos professores. “Antigamente os laboratórios eram bem simples, mas os professores sempre se empenharam em melhorá-los ainda mais. O convívio entre docentes e alunos também é o diferencial da EESC: temos de 90% a 95% dos professores em tempo integral. Essa proximidade faz com que os alunos saiam da graduação e se interessem em continuar na escola”, comentou.
A Escola de Engenharia conta com mais de 2.500 alunos de graduação e 1.000 alunos de pós-graduação, todos orientados por um corpo docente formado por 210 professores doutores. São cerca de 14.800 egressos, sendo aproximadamente 9.000 graduados e 5.800 mestres e doutores.
Além dos cursos de graduação, a escola também oferece dez programas de pós-graduação (Hidráulica e Saneamento, Elétrica, Mecânica, Transportes, Geotecnia, Estruturas, Produção, Ciências da Engenharia Ambiental, Ciência e Engenharia de Materiais e Bioengenharia), sendo estes avaliados pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) com notas máximas entre 6 e 7.
Segundo o presidente da Comissão de Pós-Graduação, Denis Vinicius Coury, a maioria dos programas da escola foi criada na década de 70 e, até hoje, vem se firmando e buscando uma maior excelência. “A realidade das décadas de 60 e 70 em relação à criação do programa de pós-graduação do Brasil era muito diferente da de hoje. Antigamente precisávamos sair do Brasil para fazer uma pós, pois aqui ainda não tínhamos programas estabelecidos. Hoje esse quadro é diferente. Recebemos alunos de vários lugares do mundo”, lembra Coury.
Durante a graduação, o aluno da EESC tem a possibilidade de se envolver com o mundo da pesquisa através de projetos integrados, atividades extracurriculares ou do contato com os programas de pós-graduação.

Homenagens, lançamentos e inaugurações marcaram os 60 anos da EESC, no dia 18 de abril: festa merecida

Segundo o presidente da Comissão de Pesquisa, Flávio Donizeti Marques, um dos maiores destaques é o constante aumento do número de convênios formalizados com universidades internacionais. “Temos parcerias com universidades do Canadá, Espanha e Bélgica, abrindo assim um leque de oportunidades para os nossos pesquisadores”, destacou o professor.
Além dos cursos, programas e pesquisas, a Cultura e Extensão Universitária também tem visibilidade de destaque e desenvolve cotidianamente atividades que complementam o ensino de tecnologia oferecido pela escola. “É muito importante que os conhecimentos adquiridos aqui sirvam para que a sociedade que nos sustenta desfrute, de alguma forma, dessa ciência através de muitas prestações de serviço e consultorias, o que acaba sendo um diferencial importante da nossa escola”, completou o presidente da Comissão de Cultura e Extensão Universitária, Francisco Antonio Rocco Lahr.
Para o diretor da escola, Geraldo Roberto Martins da Costa, o presente mostra que as decisões tomadas no passado foram sábias. “A EESC é hoje referência nacional na área de engenharia e tem contribuído constantemente para o desenvolvimento da sociedade brasileira através de seus estudos e pesquisas. Podemos então dizer que o passado foi bem estruturado para que pudéssemos colher bons frutos no futuro”, declarou Martins da Costa.

Sustentabilidade –
A EESC tem ampliado suas ações com foco na sustentabilidade. Para isso, criou em 2011 o Programa EESC Sustentável, que tem por objetivo a organização de uma política institucional que visa à inserção da sustentabilidade em suas atividades de ensino, pesquisa, extensão e administração.
Para envolver toda a comunidade local na construção dos programas, projetos e ações a serem implantados na EESC, foram criados grupos de trabalho constituídos por especialistas e demais membros da comunidade do campus, como alunos, servidores docentes e não docentes. O USP Recicla é parceiro das atividades.
Vários grupos trabalham na inserção da sustentabilidade: Gestor, Mobilidade Sustentável para o Campus, Ambientalização dos Cursos de Engenharia, Mapeamento das Pesquisas em Sustentabilidade, Gestão Eletrônica de Unidade, Compras Sustentáveis, Gestão de Resíduos Especiais, Edificações Sustentáveis e Áreas Verdes e Educação e Participação da Comunidade/Coleta Seletiva de Recicláveis.
Além desses, outros dois grupos de pesquisadores vinculados fazem parte do EESC Sustentável: Indicadores de Sustentabilidade (Pegada Ecológica/Avaliação do Programa) e Mapeamento de Resíduos com base na Política Nacional de Resíduos Sólidos.