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Da época dos dinossauros

Publicado por admin - Thursday, 15 August 2013

PALEONTOLOGIA

Fósseis do primeiro tetrápode jurássico coletado no Brasil – descoberto em 2012 no Maranhão – são descritos por pesquisadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto

Pesquisadores do Laboratório de Paleontologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP acabam de publicar a descrição dos fósseis do primeiro tetrápode jurássico coletado no Brasil. O material foi descoberto em maio de 2012 no município de Nova Iorque, no interior do Maranhão, e se trata de um crocodiliforme, grupo que congrega os jacarés e crocodilos viventes, bem como alguns de seus parentes extintos, denominado Batrachomimus pastosbonensis. O estudo, desenvolvido em parceria com colegas do Nordeste e do Canadá, foi publicado no final de julho na versão eletrônica da revista alemã Naturwissenschaften.
Contam os professores Max Langer e Felipe Montefeltro, ambos do Departamento de Biologia da FFCLRP, que até então, tetrápodes – grupo que inclui anfíbios, répteis, aves e mamíferos – jurássicos eram conhecidos no País apenas com base em pegadas. Com idade aproximada de 150 milhões de anos, a nova espécie teria cerca de um metro de comprimento, estimado com base nos ossos preservados, que incluem partes do esqueleto pós-craniano, além de cerca de 70% do crânio. Essa porção do crânio inclui, segundo os cientistas, muitas características, como um focinho alongado, olhos voltados dorsalmente e ossos ornamentados, que são também encontrados no grupo dos temnospôndilos, anfíbios que ocupavam o nicho de predadores aquáticos de médio e de grande porte, cujo material já havia sido coletado em rochas mais antigas, do período Permiano, na região.
Tais semelhanças levaram a uma confusão inicial na identificação do bicho, daí Batrachomimus (imitador de anfíbios), nome que também alude a uma inferência muito mais interessante. Os temnospôndilos foram os principais predadores de água doce no início do Mesozoico (período Triássico), época em que os parentes mais próximos dos jacarés atuais eram pequenos animais terrestres. Assim, de certa forma, somente após a extinção dos temnospôndilos é que os crocodilianos ocuparam o nicho mais comumente associado aos mesmos (predadores aquáticos), tendo substituído aquele grupo de anfíbios, “imitando” algumas de suas características. O Batrachomimus é um típico representante dessa tendência, tendo uma forma de focinho alongado claramente adaptado para predação em ambiente de água doce. O nome da espécie se refere à região de Pastos Bons, onde se deu a descoberta.

Dispersão – Outro detalhe interessante da descoberta é que a nova espécie é o único representante americano e gondwânico dos Paralligatoridae, grupo de crocodilianos até então conhecido apenas na Ásia central (China, Mongólia e Usbequistão). Isso sugere ou que esses animais tinham grande capacidade de dispersão, inclusive cruzando barreiras oceânicas, ou que as grandes massas de terra da época (Gondwana e Laurásia) tinham faunas não tão diferentes quanto anteriormente se supunha.
Além da inusitada procedência geográfica, a nova espécie é também 30 milhões de anos mais antiga que seus parentes mais próximos, que incluem os demais paraligatorídeos, bem como o grupo que congrega jacarés e crocodilos atuais. Assim, Batrachomimus contribui com informações sobre um segmento pouco conhecido da evolução dos crocodilianos, sendo importante para entender como se originaram as formas viventes do grupo.
Por fim, as rochas onde o Batrachomimus foi coletado, formação Pastos Bons, já eram anteriormente conhecidas por seus fósseis de peixes, sendo que a nova descoberta entusiasma os paleontólogos a empreender novos trabalhos de campo para a região, que podem conter outros fósseis do Jurássico, inclusive os primeiros dinossauros do período no Brasil.
Serviço de Comunicação Social da Prefeitura da USP de Ribeirão Preto