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Um fotógrafo entre povos angolanos

Publicado por admin - Tuesday, 27 August 2013

MOSTRA

Hereros, o grupo étnico mais antigo do continente africano, exibe sua cultura solidária pelas lentes do fotógrafo Sérgio Guerra

Natural de Recife (PE), o fotógrafo, publicitário e produtor cultural Sérgio Guerra vive desde 1998 entre Salvador, Rio de Janeiro e Luanda, capital da Angola, onde desenvolve um programa de comunicação para o governo angolano há mais de 15 anos. Em suas andanças, o fotógrafo vem registrando momentos decisivos da reconstrução do território angolano, esfacelado após décadas de guerras e guerrilhas. Os registros constituem um dos mais completos acervos fotográficos das 18 províncias angolanas. Parte da relação criada pelo artista com os povos de Angola está retratada em 30 trabalhos apresentados na exposição “Negro Amor”, em cartaz na galeria Paralelo até 21 de setembro.
Emanuel Araujo, diretor do Museu Afro Brasil, responde pela curadoria da mostra. A série retrata minuciosamente a paixão de Guerra pela cultura local. O fotógrafo infiltra-se nas comunidades de hereros, o grupo étnico mais antigo do continente, e registra seus rituais, tradições e práticas cotidianas.
Após uma temporada junto ao povo Herero, Guerra constata a alma dessa etnia. “Vi que mesmo diante da escassez, dividem sempre o alimento com os demais. Eles cultivam a solidariedade, evitam o egocentrismo e praticam uma economia familiar de grande inteligência, sempre voltados para a ampliação de um patrimônio cujo usufruto é sempre coletivo. Vi que honram e festejam os seus antepassados e que praticam com grande eficácia a justiça, coibindo infrações com pesadas multas que, além do prejuízo econômico, também representam uma reprimenda moral.”
O primeiro contato de Guerra com os hereros acontece em 1999, quando viaja pelas províncias de Huíla e Namibe para gravar o programa televisivo angolano “Nação Coragem”. Sobre este contato inicial, o artista recorda: “Quando os vi pela primeira vez, foi como se uma porta da minha percepção tivesse sido aberta para algo que sabia existir, mas hesitava em acreditar”.
“Há um aspecto importante nessa série fotográfica, a naturalidade entre o fotógrafo e os fotografados, uma cumplicidade comovente fala mais alto, mais solene, mais humano à procura da beleza, razão de qualquer existência. Sérgio Guerra sabe da grande importância dessas suas fotografias porque ele é profundo conhecedor do seu ofício, da luz natural de cada um dos belos rostos, de olhar iluminado, de gestos sutis e de uma delicadeza amorosa e afetuosa”, afirma o curador.
O acervo fotográfico de Guerra propiciou a publicação dos livros Álbum de família (2000), Duas ou três coisas que vi em Angola (2001), Nação coragem (2003), Parangolá (2004), Lá e Cá (2006), Salvador Negroamor (2007), Hereros-Angola (2010), além da montagem de diversas exposições em várias cidades do Brasil, em Zimbábue, Luanda, Lisboa e Madri.

A exposição “Negro Amor”, do fotógrafo Sérgio Guerra, com curadoria de Emanuel Araujo, está em cartaz até 21 de setembro na Galeria Paralelo (rua Arthur de Azevedo, 986, Pinheiros, São Paulo), de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, sábados, das 11h às 16h. Mais informações: (11) 2495-6876.