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Ideias para alcançar o mundo

Publicado por admin - Friday, 20 September 2013
Realizado na EACH, 2º Encontro de Gestão de Relações Internacionais (Gerint) da USP discute formas de ampliar cada vez mais a internacionalização da Universidade

SYLVIA MIGUEL

“Eu tinha um histórico escolar médio, o suficiente para entrar no processo, mas não me destacava com as minhas notas. Foram as experiências que fizeram a diferença. Eles viram que eu era engajado. Queriam alguém que fizesse as coisas acontecerem.” Numa das entrevistas concedidas após a conquista da dupla diplomação – neste caso, a citação é do site Estudar Fora –, as palavras de Victor Lassance Oliveira e Silva mostram que a dupla habilitação profissional nem sempre é tão restritiva quanto parece. Contratado pelo Facebook, o ex-aluno de Engenharia de Computação da USP, também habilitado pela École Centrale de Lyon (ECL), está num dos empregos mais desejados do mundo. Seu exemplo foi mostrado durante o 2º Encontro de Gestão de Relações Internacionais (Gerint) da USP, realizado de 4 a 6 de setembro, no auditório da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP. O encontro reuniu diretores, professores e funcionários das Comissões de Relações Internacionais (CRInt) de diversas unidades da USP.
“O mérito acadêmico é importante, claro. Mas eu quis mostrar, com esse exemplo, que para entrar para um programa assim o aluno não precisa, necessariamente, ser genial”, disse o professor Raul Franzolin Neto, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, que apresentou as conclusões do grupo que discutiu questões sobre o duplo diploma na graduação. No total, oito grupos de trabalho buscaram extrair em dois dias de debates “uma política de internacionalização para a próxima gestão reitoral da USP”, segundo o vice-reitor Executivo de Relações Internacionais (Vreri), professor Aluisio Augusto Cotrim Segurado.
O embaixador Renato Prado Guimarães, secretário-geral do Programa USP Internacional, anunciou a versão para o inglês de todas as páginas hospedadas no portal eletrônico da USP, tarefa que ficará a cargo de uma equipe de tradutores e contará com orçamento do próprio programa. O trabalho deverá estar concluído até 30 de novembro e em seguida será realizada a versão para o espanhol.
Entre as metas e perspectivas de internacionalização da USP, o professor Segurado anunciou o treinamento de todo o corpo técnico e acadêmico que utiliza o Sistema Mundus, a plataforma voltada ao registro de todo tipo de atividades internacionais na USP. O objetivo é familiarizar os colaboradores com esse sistema, de forma que sejam registrados corretamente os movimentos e atividades internacionais na USP.
Segundo o professor, atualmente há um sub-registro das ações internacionais na USP e a Vreri está atenta a isso, especialmente porque as estatísticas são importantes para o planejamento de ações futuras, disse. “Importante frisar que estamos preocupados em não impormos uma duplicidade de trabalho, pois há um esforço do Departamento de Informática para integrar todos os sistemas gerenciais da USP”, afirma Segurado. O treinamento será no formato de oficinas práticas em computadores, mas as datas e escalonamento das unidades ainda não foram anunciados.

O evento na EACH: dupla diplomação, uma das formas de internacionalização

O 2º Gerint marcou a inauguração da Sala de Acolhimento para professores estrangeiros na USP. Instalada nas dependências da EACH, a estrutura aproveitará sua proximidade ao Aeroporto Internacional de Guarulhos e funcionará como um entreposto para esses professores em trânsito, inclusive contando com a logística de transportes disponibilizada pelo Programa USP Internacional e o apoio de estudantes versados em línguas estrangeiras.
Além dos debates temáticos que resultarão em relatórios a serem incorporados às futuras políticas de internacionalização da USP, a Vreri também lançou mão de uma pesquisa do tipo survey, enviada eletronicamente a todas as unidades da USP, a fim de levantar a efetividade dos convênios e quanto se gerou de mobilidade, pesquisa e publicações científicas a partir desses acordos. “A ideia é saber qual a vida efetiva desses documentos assinados e quanto se gerou de produção a partir deles”, afirma Segurado.

Desafios – Atualmente a USP conta com 831 convênios assinados entre universidades do mundo todo. Um dos debates questionou justamente se o volume desses contratos é algo relevante estrategicamente para a USP. “Concluímos que, quanto mais convênios com instituições de peso, melhor, desde que se construam mecanismos para aferir seus resultados e garantir que realmente estejam ativos. Há um trabalho em andamento nesse sentido, que busca aperfeiçoar e integrar os sistemas de gestão da USP, pois os registros das atividades internacionais estão hoje esparramados pelo sistema”, disse o relator do grupo de Convênios Bilaterais, professor Flavio Soares Correa da Silva, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP.
Reconhecer o mérito de docentes e pesquisadores mais dinâmicos na assinatura de novos acordos, ou dos que mais produzem a partir dos convênios firmados, é também uma questão a ser resolvida, disse Correa da Silva.
Um manual sobre as várias abordagens para a implantação de duplo diploma de graduação nas unidades foi um dos resultados das discussões do grupo coordenado pelo professor Fernando Josepetti Fonseca, da Escola Politécnica da USP. A unidade pioneira na implantação do duplo diploma na USP já enviou desde 2001 o total de 731 alunos para coformação em escolas na França e, mais recentemente, Itália, Alemanha, Portugal e Espanha. Além da Poli, a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), e a FZEA possuem programas de duplo diploma. “Ainda não há um suporte institucional consolidado para as unidades que queiram implantar duplo diploma. Para cada curso os procedimentos são diferentes e é difícil normalizar isto. Daí a ideia de criarmos modelos a partir das experiências que deram certo. O manual estará disponibilizado através da Vreri”, afirma Fonseca.

O embaixador Sérgio Amaral faz palestra; Renato Guimarães, Aluisio Segurado e Edson Leite compõem mesa: propostas em debate

A vantagem mais clara do duplo diploma para o aluno é poder atuar no exterior sem que seu diploma necessite ser reconhecido por outro país ou por um conjunto de países como no caso da União Europeia. O estudante desenvolverá habilidades e competências exigidas nos países onde realizou a sua formação e esse é o principal diferencial competitivo do profissional. Para a USP e as instituições de ensino superior envolvidas, existe o benefício da construção de conhecimento e o registro de patentes, quando for o caso.

O encerramento do 2º Gerint contou com palestra do embaixador Sérgio Amaral e a presença do chefe de Gabinete da Reitoria, professor Alberto Carlos Amadio.