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Diálogo e ação em conjunto

Publicado por admin - Wednesday, 12 February 2014

Projeto Girassol/Aproxima-AçãoSOCIEDADE

Programa da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão aproxima a academia das demandas das comunidades vizinhas ao campus
BRENO FRANÇA
USP ONLINE

Ser um canal de interlocução entre as demandas comunitárias da sociedade e as ofertas de ações da Universidade. Esse é o principal objetivo do programa Aproxima-Ação, um projeto social da USP que tenta facilitar o diálogo dos moradores do entorno do campus com a comunidade acadêmica.

“O que o Aproxima-Ação quer, dentro da linha dos direitos humanos, é criar um espaço privilegiado de conversas no qual as pessoas se encontrem”, explica a educadora Beatriz Rocha, que tem atuação ao longo de 15 anos na Universidade e é a coordenadora técnica do programa. “Um espaço onde a Universidade oferece ações e onde recebemos as demandas da comunidade.”

Para facilitar os encontros, o programa desenvolveu uma atividade chamada ‘Rede de Aproxima-Ação’. A rede consiste em reuniões mensais frequentadas por instituições, serviços e pessoas das comunidades próximas nas quais são apresentados problemas e demandas junto à USP. O projeto é vinculado ao Núcleo dos Direitos da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP e deriva de um antigo programa que cuidava dos direitos da criança e do adolescente. Agora, a área de atuação é mais ampla.

“A abrangência desse novo projeto vai além da criança e do adolescente para as questões sociais de modo geral. Procuramos atores – tanto de um lado quanto do outro – que possam construir uma ação conjunta efetiva para ambos os lados. Nosso papel, enquanto programa de extensão, não pressupõe um atendimento direto, mas uma ação contínua”, diz a coordenadora.

Projeto Girassol/Aproxima-Ação

Participação: oficinas no Paço das Artes resultaram em intervenções no Jardim São Remo

Vínculo – Ao longo dos 18 meses de atuação do novo projeto, a equipe técnica realizou uma série de atividades e criou um vínculo forte, sobretudo com a comunidade do Jardim São Remo. “Nós fazemos uma abordagem diferente. A ideia é criar uma forma de se aproximar que seja mais afetiva e efetiva, onde se tenha uma criação de vínculo”, relata André Castilho, aluno da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e um dos estagiários do programa. “Chegamos como pessoas que querem trocar experiências, não com a intenção de apresentar soluções prontas. Esse é o grande diferencial.”

Além dele, mais quatro estagiários – outros dois da FFLCH, uma do Instituto de Matemática e Estatística (IME) e uma da Faculdade de Educação (FE) da USP – compõem a equipe que auxilia na manutenção do projeto. “Essa é outra característica da linha do programa. Nós não temos uma única área específica de atuação. Para esse tipo de intervenção, a educação social, comunitária, não tem uma área especializada. É uma ação da educação, no seu sentido mais amplo”, afirma Beatriz.

Os participantes promoveram no ano passado um resgate documental buscando registrar a necessidade que a comunidade do Jardim São Remo tem de obter uma creche. Foram meses de trabalho e muita argumentação junto a várias instâncias do poder municipal, porém a Prefeitura preferiu dedicar o espaço a um serviço de saúde. Apesar do insucesso, Beatriz não desanima. “Isso só mostra o quanto é complexo lidar com questão sociais que têm múltiplos atores da sociedade, do Estado, do Município e da própria Universidade”, diz. A educadora cita também casos de interlocuções muito bem-sucedidas, como uma parceria entre a rede e o Paço das Artes, que ofereceu oficinas de estêncil e artes para a comunidade.

A atividade, que resultou numa exposição artística num dos muros do Jardim São Remo, foi fruto de uma política da Secretaria de Cultura de São Paulo de tornar o Paço das Artes um lugar mais frequentado. “Com o apoio da equipe foi possível chegar na São Remo, ajudar no transporte das pessoas e, de fato, produzir uma oficina com adultos e crianças envolvidas. Foram 15 pessoas que compareceram a todos os encontros, gostaram e terminaram fazendo uma intervenção artística na própria comunidade. Isso gera efeitos visuais e promove o vínculo dos moradores com a Universidade, que é o mais importante”, ressalta Beatriz.

A próxima reunião da Rede de Aproxima-Ação está marcada para o dia 10 de fevereiro, às 14h. As reuniões são abertas a todos os interessados e se realizam no Favo 3 da Colmeia, na Rua do Anfiteatro, 181. Outras informações pelo telefone (11) 3091-9183, email aproxima@usp.br ou no site prceu.usp.br/nucleodosdireitos/aproximacao

BOX
Experiência vai gerar curso piloto

Projeto Girassol/Aproxima-Ação

Educação Social: equipe do Aproxima-Ação trabalha no desenvolvimento da proposta

A intenção do projeto é ir ainda mais longe. A equipe vem trabalhando em parceria com o Instituto de Psicologia (IP) da USP na formulação de um curso de educação em meio aberto. O curso de Educação Social foi discutido ao longo de todo o segundo semestre do ano passado. “O objetivo é fazer um curso piloto baseado na nossa experiência de todos esses anos. É um curso de difusão, especialização e aperfeiçoamento formalizado dentro da Universidade”, explica a educadora.

André Castilho acompanha o projeto de perto desde o começo e explica que “os participantes da elaboração desse curso somos nós, estagiários do projeto, outros alunos da Psicologia e também um professor que entra justamente para auxiliar na parte da teorização desse material que estamos tentando elaborar”. A ideia é pegar esse conhecimento acumulado e tentar extrair dele um material teórico e metodológico que possa ser aplicado no desenvolvimento do curso.

Beatriz Rocha aponta que o curso ainda não existe no Brasil, mas o entende como uma necessidade. “Esse debate é muito recente e está sendo inserido até internacionalmente. Alguns países estão tentando fomentar cursos de graduação na área, mas no nosso caso queremos colocar no nível técnico”, diz.