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Para compreender o genoma por inteiro

Publicado por admin - Wednesday, 12 February 2014
João Neves

Investimento: centro para estudo, pesquisa e treinamento em bioinformática

MEDICINA

Novo laboratório de bioinformática da FMRP vai ajudar a identificar base genética das doenças complexas e biomarcadores mais eficientes
RITA STELLA
De Ribeirão Preto

O Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP acaba de colocar à disposição da comunidade acadêmico-científica o Laboratório OMICs, espaço que envolve estudo, pesquisa e treinamento em bioinformática, especificamente para a área de genômica. A iniciativa é resultado dos trabalhos do Centro de Biologia Sistêmica Integrada – Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) da USP voltado à formação de recursos humanos em genômica, epigenômica e proteômica.

OMICs é uma referência ao sufixo de genomics, epigenomics e proteomics, termos em inglês para genoma (conjunto de todo o material genético localizado no núcleo das células de um ser vivo); epigenoma (alteração na expressão gênica que não muda a sequência do DNA) e proteômica (estudo em grande escala de proteínas, particularmente suas estruturas e funções).

O laboratório lança um novo modelo de ensino e pesquisa em bioinformática. O professor Wilson Araújo da Silva Júnior, chefe do Departamento de Genética da FMRP, conta que “a ideia é fomentar a discussão dos resultados, ou seja, focar na interpretação dos dados frente a uma pergunta biológica”. O investimento para a montagem do laboratório, que veio da reserva técnica institucional, foi baixo, considerando-se a importância da iniciativa. Outro diferencial do OMICs será o uso maciço do Cloud USP – o projeto de computação em nuvem da USP, que cria servidores virtuais para ajudar na gestão da Tecnologia da Informação (TI) da Universidade.
“É um laboratório vocacionado à análise e à discussão de dados em escala genômica”, explica Silva Júnior. É um local minimalista, quase uma sala de biblioteca, com várias estações de trabalho, onde as pessoas chegarão com seus laptops e se conectarão ao serviço disponibilizado no Cloud USP.

João Neves

Inauguração: Silva Júnior e Noushmehr (a partir da esq.) com o diretor da FMRP, Carlos Carlotti

Nova era – Com a missão de entender mais sobre a organização e a função de genomas, a meta do OMICs é “ensinar e treinar pessoas das áreas biológicas e de informática para compreender melhor a organização e função do genoma por inteiro”, diz o professor. Os interessados no suporte de análise de bioinformática devem agendar a primeira consulta na página do Departamento de Genética da unidade na internet (http://rge.fmrp.usp.br).

O responsável pelo OMICs é o professor Houtan Noushmehr, especialista em genômica, epigenômica e bioinformática e docente do departamento. Noushmehr explica que vivemos uma nova era na qual a bioinformática tem um papel central na compreensão da base genética das doenças complexas e na identificação de biomarcadores mais eficientes.

A bioinformática, continua, não é só informática, pois envolve o entendimento dos fundamentos de genética, bioquímica, biologia celular, estatística etc., para interpretar os dados relativos à análise de genomas. Assim, o OMICs servirá para treinamento com esse fim. “Quero trazer as pessoas com formação em biologia para a bioinformática. Elas trabalham com muitos dados e precisam entendê-los e interpretá-los”, diz o professor.

O OMICs servirá também à graduação, principalmente aos alunos do curso de Informática Biomédica, que têm disciplina regular ministrada por Noushmehr e pela professora Silvana Giuliatti. Ao relacionar o investimento financeiro com recursos humanos em bioinformática, o professor garante que a iniciativa contribuirá para manter a excelência em ensino e pesquisa da FMRP no cenário nacional e internacional.

Sem a necessidade de grandes gastos, será possível promover mudanças importantes em conhecimento na área da genômica. O grande diferencial da iniciativa foi o “investimento do grupo na organização”, salienta Noushmehr. Para ele, a FMRP já tinha tudo o que precisava para criar o OMICs, mas separadamente. “Agora, com a ideia dos dirigentes da FMRP em otimizar os recursos humanos, temos um grupo com várias experiências”, aponta. Ou seja, todas as experiências reunidas, objetivando a meta única do ensino de genômica.

Essa maneira de trabalhar focada no planejamento é importante, avalia Silva Júnior, pois economiza recursos e propicia grande impacto “na formação de recursos humanos e na geração de conhecimento de ponta”. Já Noushmehr comenta que os Estados Unidos sempre investiram muito no trabalho em conjunto, organizando as competências para trocas de conhecimentos e alcance dos objetivos. “Com os NAPs, vejo que a USP está no mesmo caminho”, avalia. “É a primeira ideia nesse sentido e traz algo muito avançado. A USP está muito à frente de outras universidades brasileiras.”