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O jeito científico de tratar o lixo eletrônico

Publicado por admin - Tuesday, 18 February 2014

AMBIENTE

Laboratório de Sustentabilidade da Escola Politécnica inaugura dois cursos MBAs e lança um livro com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a gestão de resíduos sólidos

IZABEL LEÃO

A gestão dos resíduos sólidos tem suscitado ampla discussão em diferentes esferas de poder, uma vez que neste ano deverá ser implementada a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A partir dessa perspectiva, o Laboratório de Sustentabilidade (Lassu) do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da USP acaba de anunciar o lançamento de dois MBAs e um livro.
Com início previsto para a última semana de março, o MBA Governança e Inovação de Tecnologias Digitais com Sustentabilidade tem como meta formar gestores e potenciais líderes no uso inovador de tecnologias digitais e sua governança, garantindo um diferencial competitivo para as empresas e para o próprio participante, que terá uma visão diferenciada. “Essa visão prima pela sustentabilidade, em termos de redução de custos, maior competitividade no mercado em função das inovações geradas e consonância com as iniciativas de proteção ambiental, além do olhar social”, reflete a professora Tereza Cristina Melo de Brito Carvalho, coordenadora do Lassu.

Lixo eletrônico: problema que exige soluções criativas e inovadoras

Pesquisas mostram que o Brasil hoje produz 1 milhão de toneladas de lixo eletrônico por ano, o que significa que cada vez mais no País são descartados resíduos sólidos para adquirir novos equipamentos de tecnologia. A professora explica que o MBA se propõe a pensar em tecnologias que gerem inovação, sejam bem governadas e tragam resultados para os negócios, sem esquecer a questão da sustentabilidade, já que mais eficiência energética será exigida.
Já o segundo MBA, intitulado Gestão Integrada em Resíduos Sólidos, tem como foco principal a formação de gestores, seja do setor privado ou do setor público, para atuar em consonância com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O curso abordará aspectos de logística de armazenamento, coleta, transporte e disposição final dos resíduos sólidos, assim como metodologias e técnicas de minimização, reutilização e reciclagem.
Com enfoque prático, Tereza ressalta que o curso pretende habilitar seus participantes a desenvolver planos de gestão de resíduos, bem como compreender os desafios do empreendedorismo nessa área. “Vale lembrar que os resíduos não são somente os eletrônicos, mas também embalagens, pneus e tudo que é sólido descartável”, explica.
O curso é composto de três partes. Na primeira parte, vai discutir a questão da sustentabilidade sob diversos aspectos (econômico, social e ambiental). Na segunda, o mesmo tema será analisado do ponto de vista da gestão e a terceira parte tratará das tecnologias de forma geral.
O Lassu conta com a experiência de criação do Centro de Descarte de Resíduos de Informática (Cedir) da USP, hoje uma referência no tratamento de resíduos eletroeletrônicos em nível nacional e internacional.

Tereza Cristina: livro e cursos difundem o manejo correto de resíduos sólidos

Redução – A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), consolidada em 2010 e colocada em prática este ano, é bastante atual e contém instrumentos para permitir o enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos, segundo especialistas.
Ela prevê a prevenção e a redução da geração de resíduos e propõe hábitos de consumo sustentável, aumento da reciclagem e reutilização dos resíduos sólidos, além da destinação ambientalmente adequada dos rejeitos.
O mais importante, para a professora Tereza, é a questão da responsabilidade compartilhada de quem gera os resíduos: fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, cidadãos comuns e titulares de serviços de manejo dos resíduos sólidos urbanos. “De quem é a responsabilidade pela geração do resíduo sólido? Do fabricante? D comerciante? Do consumidor? Do distribuidor? Daí a responsabilidade compartilhada ser importante, porque envolve toda a sociedade na resolução desse problema”, lembra Tereza.
A professora destaca que os resíduos sólidos valem dinheiro, pois geram energia e produtos reciclados. Por isso, apenas jogá-los no lixão ou no aterro sanitário não é a forma mais inteligente de se resolver a questão. Tereza afirma que, nos novos cursos, os participantes terão que pensar em como gerar valor econômico de forma sustentável. Ela cita como exemplo o caso dos pneus, que são usados para produzir asfalto.
A PNRS institui metas para a eliminação dos lixões até 2020 e coloca o Brasil no patamar de igualdade em relação aos principais países desenvolvidos no que concerne ao marco legal. Além disso, ela inova com a inclusão de catadoras e catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis. Também ajuda o País a atingir uma das metas do Plano Nacional sobre Mudança de Clima, que é de alcançar o índice de reciclagem de resíduos em 20%, até 2015.

Mais informações sobre os MBAs Governança e Inovação em Tecnologias Digitais com Sustentabilidade e Gestão Integrada em Resíduos Sólidos podem ser obtidas no endereço eletrônico do Laboratório de Sustentabilidade (Lassu) do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da USP (www.lassu.usp.br).

O destino dos restos da informática

Lançado no dia 11 passado, o livro Gestão de Resíduos Eletroeletrônicos, organizado por Tereza Cristina Melo de Brito Carvalho e Lúcia Helena Xavier, procura abordar a problemática dos resíduos sólidos, assim como seu encaminhamento correto.
Segundo Tereza, o livro é resultado do trabalho do Centro de Descarte de Resíduos de Informática (Cedir) da USP, que desde 2009 busca formas legais e ambientalmente corretas para a destinação dos equipamentos fora de uso da Universidade.
Para ela, uma questão importante apresentada na obra diz respeito ao ciclo de vida dos eletrônicos, que diminui cada vez mais, dada a rápida evolução tecnológica das últimas décadas, o que acaba por acelerar o processo de obsolescência desses equipamentos. “Há computadores cujo design dificulta a desmontagem e não permite compartilhamento, como é o caso do Macintosh. Além disso, um computador apresenta muitas substâncias tóxicas. Sem falar no celular, que reúne 500 tipos dessas substâncias”, diz Tereza.
O livro trata dos resíduos sólidos do ponto de vista da saúde, do direito ambiental, da política e da questão social, apresentando duas experiências de sucesso na USP: o Cedir, no campus da USP em São Paulo, e o projeto Recicl@tesc, no campus de São Carlos.

Gestão de Resíduos Eletroeletrônicos, de Lúcia Helena Xavier e Tereza Cristina Melo de Brito Carvalho (organizadoras), Editora Elsevier, 217 páginas, R$ 49,90.