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A humanização no Hospital das Clínicas

Publicado por admin - Thursday, 27 February 2014

IZABEL CRISTINA RIOS, GABRIELA ZEMEL E PEDRO RESENDE

A humanização pode ser pensada em diferentes perspectivas teóricas e metodológicas. Do nosso ponto de vista, sua essência é a construção coletiva de compromissos éticos e técnicos que se expressam em ações para o cuidado do paciente e melhoria das relações de trabalho entre os profissionais de saúde. Por esse olhar, o desenvolvimento da humanização nos serviços será um longo caminho de maturação da cultura institucional para valores e atitudes, envolvendo cada vez mais pessoas nesse modo de ser e fazer em saúde.
Para essa tarefa, a Política Nacional de Humanização (PNH) recomenda que os serviços criem o chamado Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), formado por pessoas de diversas áreas. Seguindo tal recomendação adaptada à nossa realidade, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) adotamos o modelo de trabalho em rede, a Rede Humaniza HCFMUSP, formada pelo Núcleo Técnico e Científico de Humanização e 16 GTHs estratégicos nos seus vários institutos, hospitais e serviços agregados.
Cada GTH é estratégico porque, formado por profissionais da saúde capacitados para atuar no âmbito da gestão dos serviços, se apresenta como dispositivo para o aprimoramento das diversas práticas de saúde, senão em todos, certamente nos principais setores da instituição. O GTH estratégico, por meio de metodologias de avaliação organizacional, identifica situações críticas nas interações no atendimento ao usuário, entre colaboradores, equipes e comunidade. Depois de identificar os problemas-alvo da humanização, o GTH estratégico, junto com as áreas, define objetivos, estimula ou promove ações apoiadas em valores e atitudes como participação, autonomia, responsabilidade, diálogo e atitude solidária, que resultam na melhor qualidade das práticas.
As ações de humanização são elaboradas para aproximar as pessoas e promover encontros nos quais ocorra o desenvolvimento de tarefas de modo compartilhado e voltado ao entendimento. As ações podem ser pontuais ou de caráter contínuo. Podem também virar programas e, ao longo do tempo, ser incorporados à rotina dos serviços, que é o principal objetivo da humanização: incorporar valores, métodos e atitudes nas práticas cotidianas de atenção e gestão.
Com o objetivo de ampliar as reflexões, conversas e encontros sobre a humanização nos serviços de saúde e o papel das humanidades na formação profissional, a Faculdade de Medicina da USP e o Hospital das Clínicas estão organizando o Congresso Internacional de Humanidades e Humanização em Saúde. Esse evento faz parte das comemorações previstas para os 70 anos do HC e será realizado nos dias 31 de março e 1º de abril, no Centro de Convenções Rebouças. Todas as informações estão disponíveis no site www.congressohumaniza.com.br. Participe.

Texto publicado originalmente no Jornal da FFM, da Fundação Faculdade de Medicina, número 69, de setembro e outubro de 2013.

Izabel Cristina Rios é pesquisadora do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do Núcleo Técnico de Humanização da Rede Humaniza HCFMUSP do Hospital das Clínicas
Gabriela Zemel é psicóloga hospitalar formada pelo Centro de Estudos Psico-Cirúrgicos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
Pedro Resende é administrador de empresas formado pela Fundação Getúlio Vargas