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Ação coletiva pela educação

Publicado por admin - Thursday, 27 February 2014

ADMINISTRAÇÃO

Na primeira de uma série de entrevistas com os novos pró-reitores da USP – a ser publicadas nas próximas edições do Jornal da USP –, o pró-reitor de Graduação, Antonio Carlos Hernandes, afirma que quer a participação da comunidade uspiana nas decisões sobre o ensino na Universidade

IZABEL LEÃO

Promover o diálogo e definir as ações de maneira coletiva, com a participação de todos os integrantes da comunidade uspiana, são as principais metas do novo pró-reitor de Graduação, professor Antonio Carlos Hernandes. Docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, ele tem como foco conversar com diretores e presidentes das Comissões de Graduação das unidades de ensino e pesquisa dos campi de São Paulo e do interior, inclusive visitando as estruturas in loco.
A peregrinação de Hernandes teve início no campus de Ribeirão Preto, onde manteve contato também com alunos, que expuseram suas sugestões e dúvidas. O pró-reitor diz que todo o processo é interativo. “Queremos fazer isso o tempo todo. Vamos às unidades, conversamos com os envolvidos, coletamos as informações e levamos ao Conselho Universitário. Iremos ao Conselho já tendo ouvido todos os seguimentos envolvidos na graduação”, observa Hernandes.
As visitas, segundo o pró-reitor, servirão para coletar uma série de informações sobre grade curricular, evasão, acesso, cotas, inclusão, organização do currículo, progressão na carreira e avaliação dos docentes, entre outros temas. “Vamos reunir tudo num banco de dados para, a partir daí, sabermos como desenvolver as mudanças necessárias”, explica o pró-reitor.
Uma das ideias apontadas em Ribeirão Preto e que já germina como proposta se refere às atividades de cultura e esporte, desenvolvidas pelos alunos. Nesse sentido estão sendo pensadas, com a Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP), competições esportivas de diferentes modalidades, além da Olimpíada Esportiva Anual USP, com o objetivo de integrar todos os alunos uspianos. “Queremos formar cidadãos não somente nas questões éticas, morais e técnicas, mas também como cidadãos capazes de interagir com as diferenças e diversidades, próprias do mundo em que vivemos atualmente”, reflete o pró-reitor.
Hernandes reconhece todos os projetos desenvolvidos pela Pró-Reitoria de Graduação anterior e diz que a preocupação principal é construir a partir do que já existe. “São diversas atividades, programas e políticas claras que funcionam muito bem. O que precisa mudar é a forma como as pessoas avaliam, e que ainda está um tanto quanto equivocada.”

Egressos – Questionado sobre o papel que a graduação vem desempenhando nos últimos anos, Hernandes afirma enfaticamente que a graduação da USP é um sucesso, “haja vista os alunos já formados, que ocupam cargos importantes em grandes empresas e em instituições públicas e desempenham funções de destaque na sociedade e no mundo”. Ele complementa, afirmando que vai dar continuidade ao projeto de mapeamento dos alunos egressos para que estes possam trazer para a Universidade propostas que alavanquem ainda mais a função de formar profissionais de alto padrão para o País. “Não quero apenas um banco de dados dos egressos. A ideia é incorporá-los no processo de mudança, contribuindo para uma graduação cada vez melhor.”

Quanto aos problemas de evasão, Hernandes explica que, primeiro, é preciso definir o conceito de evasão. “Se olharmos para a evasão considerando que a USP tem aproximadamente 11 mil vagas e os cursos em média têm cinco anos, deveríamos ter um fluxo contínuo de 55 mil alunos. No entanto, a USP tem 58 mil alunos de graduação, o que mostra um maior número de retenção do que evasão de estudantes.”

Ele ainda esclarece que existem “três ou quatro cursos” que realmente sofrem com uma evasão significativa. Por isso, a ideia da Pró-Reitoria de Graduação é olhar curso a curso e entender o que causa a saída dos estudantes. “Dados mostram que a evasão é pequena. O que existe é a mobilidade de um curso para outro”, explica.

Ensino de graduação na USP: em busca constante de novos métodos e procedimentos para manter a qualidade das aulas

Sobre a valorização do ensino, o importante para Hernandes é olhar a questão com clareza, para definir quais mecanismos implementar com sucesso. Por isso o trabalho será feito com a Comissão Especial de Regimes de Trabalho (Cert), com as unidades e com os Conselhos de Graduação, Pós-Graduação, Pesquisa e Cultura e Extensão Universitária.
“A graduação da USP é muito boa porque tem uma pesquisa forte”, afirma Hernandes. E complementa: se a pesquisa é de ponta, consequentemente a graduação também é. Para ele, não se fazem cursos inovadores, que formam pessoas que vão contribuir para o País, se não existir pesquisa de ponta. “O que temos que fazer é catalisar as iniciativas, para que isso aconteça de maneira mais efetiva e não mais de maneira segmentada.”

Escolas públicas – Outra questão abordada pelo pró-reitor trata do acesso dos alunos de escolas públicas à universidade pública. Dados mostram que, de maneira geral, nos últimos cinco anos, o acesso vem crescendo. Embora os números do vestibular deste ano ainda não estejam totalmente consolidados, Hernandes afirma que a USP atingirá 34% dos inscritos oriundos de escolas públicas. “Isso é reflexo de todo o trabalho que a Universidade vem fazendo durante esses anos todos. Vamos continuar as atividades em cima do que já foi conquistado para aumentar ainda mais essa meta. Com a Fuvest, estamos traçando novas metas e queremos entender como esse aumento se deu nos cursos individualmente. Qual unidade de ensino tem capacidade para absorver mais ou menos alunos?”, questiona.

O pró-reitor Antonio Carlos Hernandes: diálogo permanente

O pró-reitor considera muito importante a comunicação com o público, através da transmissão de informações que sejam sempre bem dadas e detalhadas, um fator preponderante para que a sociedade saiba o que se faz nos campi da Universidade. Para isso, ele pretende aprimorar o site da Pró-Reitoria de Graduação, para que as informações sobre as carreiras profissionais, mercado de trabalho e demandas do mercado, por exemplo, possam ajudar os jovens, cada vez mais cedo, a optar por sua profissionalização. “Também queremos melhorar o processo de divulgação no ensino público, estimulando os alunos a terem pensamento crítico.”
Quanto à implementação das tecnologias de informação e comunicação nos cursos de graduação, o pró-reitor diz que todas as unidades deverão ter Ambientes Interativos de Aprendizado, como os da Faculdade de Medicina e do Instituto de Física de São Carlos, onde os alunos têm acesso às diferentes tecnologias. A ideia é fazer isso em parceria com as bibliotecas das unidades. “Nada será construído, e sim reaproveitado. Quanto aos equipamentos necessários, só serão comprados quando a questão orçamentária estiver mais bem equalizada”, acrescenta Hernandes. “É preciso que todos entendam que temos um tempo para isso acontecer.”