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Os múltiplos caminhos das ciências farmacêuticas

Publicado por admin - Monday, 10 November 2014

Campanha de prevenção do diabetes: serviço à comunidade

ENCONTRO

Professores, estudantes e profissionais de várias regiões do Brasil se reuniram na USP em outubro para apresentar e debater a visão multifacetada do farmacêutico

São os múltiplos e inovadores caminhos das ciências farmacêuticas que mobilizam os estudantes do Centro Acadêmico de Farmácia e Bioquímica da USP. Uma energia que, há 19 anos, circula na tradicional Semana Farmacêutica de Ciência e Tecnologia e, há 49 anos, na Semana Universitária Paulista de Farmácia e Bioquímica. Além desses dois tradicionais eventos, que têm como meta a complementação acadêmica e profissional, há também o Simpósio Anual de Pesquisas em Ciências Farmacêuticas e a 13ª Campanha de Diabetes, que presta esclarecimentos à sociedade sobre o diagnóstico e tratamento dessa doença.

Esses eventos se estenderam do dia 20 ao dia 24 de outubro na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, incluindo ciclo de palestras, debates, cursos e oficinas com a participação de estudantes de graduação e pós-graduação da USP e de universidades de todo o Brasil. “Os eventos dessa semana traduziram o nível de comprometimento e de competência de alunos, professores e funcionários em permitir que aspectos profissionais, de pesquisas e de políticas da área de saúde sejam compartilhados”, observa a diretora da FCF, professora Terezinha de Jesus Andreoli Pinto.

Cidadania: evento serviu para dar orientações à população

Na avaliação da diretora Terezinha, a Semana Farmacêutica de Ciência e Tecnologia traz para docentes, pesquisadores e estudantes a oportunidade de centralizar na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP abordagens de interesses diversos, que propiciam o aprimoramento profissional, científico e tecnológico. “O tema ‘A visão multifacetada do farmacêutico’, apresentado neste ano, propicia uma reflexão sobre a abrangência e a complexidade das ciências farmacêuticas”, observa. “Durante séculos a farmácia e a medicina caminharam associadas. Com a necessidade de estudos mais detalhados e especializados, houve a separação de ambas, cabendo aos médicos o diagnóstico e o tratamento das doenças e aos farmacêuticos a pesquisa e a manipulação de medicamentos. Hoje, passados séculos, os farmacêuticos estão inseridos em toda a cadeia de medicamentos e correlatos, bem como a dos cosméticos, desde a pesquisa e desenvolvimento até a vigilância de sua utilização pelo paciente.”

Terezinha, que acompanha os desafios das inovações das ciências farmacêuticas desde 1971, quando iniciou a graduação na USP, observa: “Atuar na área farmacêutica significa ser um profissional que está constantemente em contato com a ciência e a tecnologia, sendo o medicamento a interface entre essas duas áreas.”

Terezinha: comprometimento

Comprometimento – Manter a tradição da Semana Farmacêutica de Ciência e Tecnologia é a regra do Centro Acadêmico. Enquanto avaliam o êxito da atual edição, eles já se organizam para preparar o evento do ano que vem. Se a programação conseguiu atrair mais de 350 inscritos da USP e outras universidades, é porque os estudantes trabalham com afinco. Com os professores, eles definem os temas e buscam o apoio dos institutos de fomento e também das associações e das empresas farmacêuticas.

“Aprendemos muito com a organização da programação”, explica o estudante Pedro Henrique Carvalho. “E, ao acompanhar os debates, as palestras, percebi que quando eu entrei na faculdade não imaginava a gama de pesquisas que poderia seguir.”

Lívia Andrade de Freitas, estudante do segundo ano, acredita que a programação da 49ª Semana Universitária Paulista de Farmácia e Bioquímica e da 19ª Semana Farmacêutica de Ciência e Tecnologia abrem novos horizontes. “Nós aprendemos sobre as possibilidades e pesquisas das diversas áreas e conhecemos os especialistas. Por exemplo, tivemos uma palestra sobre acupuntura. Eu realmente desconhecia que um farmacêutico pudesse aprender e aplicar a acupuntura. E essa é apenas uma das possibilidades das ciências farmacêuticas.”

Os estudantes lembram que muitas pessoas ainda confundem o farmacêutico com o dono ou o atendente da drogaria. “Na verdade, o farmacêutico tem um papel fundamental na área da saúde”, esclarece Isabela Pereira Lucca. “É um profissional mais acessível, que está sempre à disposição da população para orientar e auxiliar a população. Quem prescreve os medicamentos é só o médico, mas o farmacêutico pode auxiliar no uso correto e orientar sobre os componentes do remédio.”

Isabela explica que, hoje, o farmacêutico integra a equipe multidisciplinar dos hospitais. “Em alguns hospitais – o Hospital Universitário da USP, por exemplo –, existem especialistas em ciências farmacêuticas.” Com o desenvolvimento das indústrias farmacêuticas, o mercado está cada vez mais promissor. “Há cerca de 78 áreas de atuação”, observa.

Palestras – Entre as áreas das ciências farmacêuticas está a perícia criminal na análise de DNA. Para esclarecer sobre o assunto, o Centro Acadêmico convidou o perito Eduardo Filipe Ávila da Silva, do Departamento Criminal da Polícia Federal. “Os peritos criminais têm se mostrado importantes aliados dos investigadores para a resolução de crimes e identificação de seus responsáveis”, observou o perito. “A partir dos vestígios colhidos na cena é possível ligar suspeitos ao crime por meio de análise de DNA encontrado em amostras colhidas no local.”

Alana dos Reis Figueiredo, doutora em Química Orgânica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também foi convidada para apresentar o tema “De pequenas moléculas a grandes ideias: O uso da espectrometria de massas na metabolômica”. “Uma nova ferramenta analítica que dá suporte à pesquisa e desenvolvimento de fármacos, o Thomson Reuters Integrity SM, foi recentemente incorporada ao acervo do Portal de Periódicos da Capes e seu acesso está sendo disponibilizado gratuitamente à grande parte da comunidade acadêmica brasileira”, assinalou a especialista. “Essa ferramenta reúne dados biológicos, químicos e farmacológicos de mais 430 mil compostos com atividade biológica demonstrada, desde aqueles que ainda estão em fase de experimentação pré-clínica até os fármacos já lançados no mercado.”