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Porta de entrada para a recuperação

Publicado por admin - Wednesday, 20 May 2015

ASSISTÊNCIA

Atendimento da Universidade para professores, alunos e funcionários que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas se baseia no “acolhimento” sem preconceitos e em absoluto sigilo, diz psiquiatra do Programa Acolhe USP

Acolher, prevenir e dar assistência é o objetivo do Programa Acolhe USP, que atende atualmente em torno de 250 pessoas, entre professores, alunos e funcionários que lutam contra o consumo abusivo de álcool e drogas. O programa é mantido pela Superintendência de Assistência Social (SAS) da USP, em parceria com a Superintendência de Saúde e o Hospital Universitário (HU) da USP, além da Faculdade de Medicina (FM) e Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC). O programa é composto por profissionais de psicologia, serviço social, enfermagem e psiquiatria, que discutem periodicamente entre si os atendimentos realizados.

De acordo com o médico psiquiatra responsável pelo Acolhe USP, Marcio Eduardo Bergamini Vieira, a porta de entrada tradicional é o “acolhimento”, ou seja, o atendimento inicial ao indivíduo portador de transtornos devido ao uso de substância psicoativa (algo que tenha ação no sistema nervoso)  é realizado todos os dias da semana, sem agendamento prévio. “Isso facilita a adesão ao tratamento, uma vez que o paciente aproveita aquele momento em que  está disposto a realizar algum tipo de intervenção para iniciar seu tratamento com a equipe.”

Vieira explica que o primeiro contato é sempre realizado com uma equipe multiprofissional, sem a presença de médicos. A partir desse momento, novos encontros são marcados com a equipe, além de avaliação médica, que é realizada nas dependências do Hospital Universitário. “Muitos de nossos pacientes acabam associando a presença do médico a uma inevitável internação, o que não é verdade”, esclarece Vieira, e pontua: “A internação é um recurso deixado apenas para o insucesso terapêutico ambulatorial, em que os prejuízos de vida do paciente acabam sendo significativamente consistentes”.

Tratamento – Toda a perspectiva de tratamento no Acolhe USP foca em identificar quem é o usuário e que tipo de uso de substância ele faz, suas motivações e a forma de contorno de seus eventuais prejuízos. “Dessa maneira”, explica o psiquiatra, “entendemos que cada indivíduo é único e seu tratamento não pode ser igual ao dos demais. O tratamento não precisa também, partindo desse ponto de vista, focar em uso de medicações. Alguns pacientes nem chegam a tomar remédios. Seus tratamentos são direcionados para atendimentos psicoterápicos apenas. Há outros casos que podem necessitar da medicação e só uma minoria terá de recorrer à internação psiquiátrica, depois de tentadas todas as outras etapas”.

Vieira ressalta que todo o atendimento é pautado pela ética e pelo sigilo profissional e é oferecido aos alunos, funcionários e docentes da Universidade, que muitas vezes chegam por demanda espontânea, como também trazidos por familiares, amigos ou colegas de trabalho.

Vale lembrar que, para aqueles que reconhecem algum grau de prejuízo no consumo de substâncias psicoativas, o programa oferece uma gama de orientações e suporte para que os danos sejam minimizados. Quando o indivíduo não é capaz de reconhecer esses prejuízos, a ênfase se dá no reconhecimento destes. Não existe pré-seleção de pacientes e estes podem buscar atenção imediata tanto em uma unidade localizada na SAS, na rua do Anfiteatro, 295, na Cidade Universitária, quanto na sede externa ao campus, situada na avenida Afrânio Peixoto, 333 (telefone 3032-1127), próximo ao Portão 1 da Cidade Universitária.

Existem casos em que as pessoas que convivem com o usuário de drogas ou álcool acaba procurando também as orientações da equipe do Acolhe USP. Nesses atendimentos, é explicado como lidar com as situações descritas e como buscar ajuda de uma maneira mais adequada e eficiente.

Vieira afirma que, muitas vezes, os sujeitos acolhidos voltam a usar tais substâncias e essa é uma situação já oprevista para esse tipo de tratamento. “Não desejamos que isso aconteça, mas tentamos acabar com o estigma de que o indivíduo que recaiu no uso da substância voltou ‘à estaca zero’”, reflete.

O psiquiatra ressalta que, nesse tipo de situação, procura-se identificar os fatores que o levaram novamente ao uso das mesmas substâncias e trabalha-se para evitar que ele volte a recair. A recaída se deve a vários fatores heterogêneos, assim como o início do uso dessas substâncias, diz o psiquiatra.

Junto com as atividades assistenciais, o Acolhe USP trabalha com a comunidade USP as questões de prevenção de problemas relacionados ao álcool e outras drogas. Foram criados materiais educativos e, eventualmente, ocorrem palestras para alertar sobre os prejuízos no uso dessas substâncias.

O tratamento para funcionários, alunos e professores que fazem uso abusivo de álcool e drogas é realizado também nos campi do interior, mas sem vinculação ao programa da Capital. “Cada uma das unidades da USP possui um psiquiatra para a atenção à problemática de álcool e outras drogas e atuam de maneira independente ao programa”, destaca Vieira.