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A transformação do Brasil

Publicado por admin - Monday, 8 June 2015

SOCIEDADE

Lançado no dia 2 passado pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM), o livro Trajetórias das Desigualdades – Como o Brasil mudou nos últimos cinquenta anos mostra os avanços sociais do País nas últimas décadas

SILVANA SALLES

Núcleo de Divulgação Científica da USP

O tema da desigualdade ganhou interesse renovado das ciências sociais em todo o mundo depois que o economista francês Thomas Piketty chamou a atenção para o crescimento da disparidade de renda entre ricos e pobres em curso nos países desenvolvidos. No Brasil, por muito tempo se acreditou que o País teria um “DNA problemático”, que bloquearia a redução da desigualdade. No entanto, a trajetória das últimas décadas mostra que os brasileiros têm vivenciado uma queda em alguns aspectos importantes da desigualdade, com a universalização do acesso ao ensino fundamental, do direito ao voto e a serviços de infraestrutura – como abastecimento de água e fornecimento de energia. Na realidade, os dados mostram que o Brasil de 2010 foi um país menos desigual que o de 1991. Esse diagnóstico dos pesquisadores do Centro de Estudos da Metrópole (CEM) resulta das análises do livro Trajetórias das Desigualdades – Como o Brasil mudou nos últimos cinquenta anos – lançado no dia 2 passado, em evento na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP – e contraria o esperado e estabelecido no debate sobre o tema nas ciências sociais.

A professora Marta Arretche: "O Brasil de 1960 definitivamente não é o Brasil de 2010, por qualquer indicador"

Novidade – O livro é o primeiro balanço das ciências sociais no Brasil que trata da desigualdade como um fenômeno de múltiplas dimensões, analisadas ao longo de um período de meio século – durante o qual o País passou por grandes transformações sociais e estruturais. Os 14 capítulos da obra, assinados por autores como Fernando Limongi, Alvaro Comin, Eduardo Marques, Vera Schattan Coelho e Adrian Gurza Lavalle, exploram separadamente dimensões como participação política, estratificação educacional, desenvolvimento de políticas públicas na saúde e na infraestrutura urbana, migração, relações raciais e de gênero e mercado de trabalho. O estudo se apoia em tabulações especiais das informações dos Censos Demográficos do IBGE de 1960, 1970, 1980, 1991, 2000 e 2010. Essas tabulações foram realizadas e disponibilizadas on-line pelo próprio CEM, que é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) sediados na USP e hoje opera com o apoio de seu segundo financiamento junto à Fapesp.

“O Brasil é conhecido mundialmente por ser um dos países mais desiguais do mundo, o que era interpretado como uma característica inerente ao caso brasileiro. A novidade importante, então, é a desigualdade não ser imutável. Temos uma avaliação abrangente de escopo e de longo prazo, o que permite fazermos balanços de transformações de interesse, controladas por macroprocessos – urbanização, migração em massa, industrialização, democratização e mudanças dos patamares de renda”, explica Marta Arretche, organizadora do livro (leia a entrevista).