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Mobilidade e ecologia unidas

Publicado por admin - Monday, 22 June 2015

ADMINISTRAÇÃO

Após instalação de ciclovias e faixas de ônibus, no início do ano, Prefeitura da Cidade Universitária planeja novas medidas para melhorar mobilidade interna de forma sustentável

CAROLINA OLIVEIRA

Com o objetivo de melhorar cada vez mais a mobilidade na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira (Cuaso), a Prefeitura do Campus da Capital (PUSP-C) vem estudando uma série de medidas que prometem melhorar a locomoção dentro do campus, mas sem deixar de lado o cuidado com o ambiente. Entre esses projetos está a implantação de ciclovias, faixas exclusivas de ônibus, bicicletários e pontos de empréstimo de bicicletas.

As medidas darão continuidade às realizações que já ocorreram neste ano, como a inauguração da primeira ciclovia na Cidade Universitária. A faixa foi inaugurada em fevereiro, antes do início do período letivo, e liga o Portão 1 à avenida Lineu Prestes, na altura da Casa de Cultura Japonesa. O mesmo trecho passou a contar também com uma faixa exclusiva para ônibus, agilizando o percurso de quem utiliza transporte coletivo. “Quem usa ônibus concorda que melhorou muito. Obviamente, o pessoal que usa carro discorda”, brinca o professor Tercio Ambrizzi, vice-prefeito do campus da Capital e docente do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG).

A partir de agora, planeja-se a expansão das ciclovias para novas áreas do campus. A próxima a ser instalada será na avenida Professor Mello Moraes, que passará por recapeamento do asfalto para melhor receber os ciclistas. Em seguida, as avenidas Professor Luciano Gualberto, Professor Lineu Prestes e a rua do Lago também receberão faixas exclusivas para bicicletas. Segundo a Prefeitura, o prazo para conclusão dessas obras é o primeiro trimestre de 2016.

Um projeto executivo para embasar a implementação da rede cicloviária, feito por uma empresa externa, foi apresentado ao Conselho Gestor do campus da Capital no dia 17 passado. O objetivo é que todas as unidades tenham ciclovias ligadas às avenidas principais da Cidade Universitária. “A intenção é que esse projeto executivo comece a ser implementado imediatamente, para que no início do ano que vem já tenhamos o campus completamente tomado pelas ciclovias”, diz Ambrizzi.

Além das ciclovias, o projeto executivo também engloba a instalação de bicicletários e de pontos de empréstimo de bicicletas. Com relação aos bicicletários, a primeira fase do estudo consistiu num levantamento acerca da infraestrutura já existente na Cidade Universitária. Todas as unidades responderam a um questionário técnico, dizendo se já existiam bicicletários em seus pátios, como funcionava a estrutura destes e qual o número de bicicletas suportado. Ao final dessa pesquisa, a Prefeitura montou uma proposta de implantação de bicicletários, que pode, inclusive, receber sugestões das próprias unidades.

Já para os locais de empréstimo de bicicletas, serão avaliados fatores como demanda por região do campus e distância necessária entre um ponto e outro. Apesar do estudo desses aspectos pelo plano executivo, o professor Ambrizzi explica que ainda não há data para a instalação dos pontos de empréstimo, uma vez que estes fazem parte do projeto de mobilidade, que é feito em etapas e, no momento, está focado na implantação das ciclovias e dos bicicletários. “A empresa está avaliando onde seria interessante ter pontos de empréstimo de bicicletas, onde poderíamos instalar bicicletários e onde eles já existem. Tudo isso faz parte desse projeto executivo”, afirma. O professor ressalta que, no futuro, é provável que a instalação desse mobiliário conte até mesmo com parcerias externas, o que seria benéfico para os cofres da USP. “A Universidade hoje não tem condições de bancar tudo”, diz.

Tráfego – Além de beneficiar ciclistas e usuários do transporte coletivo, algumas das medidas inclusas no plano de mobilidade da Prefeitura também proporcionarão maior velocidade aos veículos individuais. Uma empresa contratada pela PUSP-C vem analisando o fluxo do trânsito em locais movimentados, como os portões 1 e 3, e estudará formas de diminuir o tempo de espera nos horários de pico. Ambrizzi conta que a avaliação é feita por meio de um software alemão, capaz de simular a movimentação dos carros. Assim, pode-se testar o impacto de alterações no tempo de farol ou na direção permitida aos veículos. Segundo o professor, apenas essas pequenas alterações já seriam capazes de reduzir em mais de 10 minutos o tempo de espera de um motorista para sair do Portão 1, por exemplo.

As possíveis mudanças no tráfego do campus também foram apresentadas ao Conselho Gestor e deverão ser discutidas com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), que já possui contrato com a USP e está prestes a ampliar esse convênio. “Vamos sentar com a CET e mostrar os benefícios, os prós e os contras da mudança de algum farol, de placas, de faixas de pedestre, e como isso nos beneficiaria”, explica Ambrizzi.

Faixas e ciclovias: medidas para um ambiente melhor

Os projetos de mobilidade fazem parte do programa Campus Sustentável, realizado em parceria com o Instituto de Energia e Ambiente (IEE) e que busca desenvolver, dentro do campus, ações sustentáveis em áreas como gestão de água, energia e resíduos, de modo a tornar a Cidade Universitária referência em gestão sustentável. Uma dessas medidas foi a inauguração, no dia 3 passado, de um Parque Fotovoltaico no IEE, capaz de produzir 1% de toda a energia elétrica gasta na Cidade Universitária. Ambrizzi ressalta que o Campus Sustentável é uma forma de unificar as medidas ecológicas. “Não é que as unidades não tivessem ações de sustentabilidade: muitas já tinham, mas era algo isolado. O programa vem para organizar isso”, diz.

O professor também aponta a importância do planejamento prévio na execução dessas obras. “Uma coisa interessante é que esse projeto está sendo feito de uma forma bastante séria e científica, como se esperaria de uma universidade”, diz. Segundo ele, um bom planejamento é capaz de tornar as instalações mais duradouras, além de contribuir para o bom uso do dinheiro público. “Temos de ter responsabilidade nos gastos e fazer uma vez só, por um longo período, ao invés de tapar buraco. O País precisa de planejamento a longo prazo, e a USP deve ser um exemplo disso”, completa.