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Os desafios da energia sustentável

Publicado por admin - Monday, 22 June 2015

CONFERÊNCIA

Em palestra no IEE, coordenador de Estudos do Comitê Brasileiro do Conselho Mundial da Energia apresenta as questões e estratégias políticas para abastecer o planeta

Estimular ações em todo o planeta para garantir a energia sustentável e acessível para todos é o desafio do Conselho Mundial da Energia (World Energy Council – WEC). A instituição atua desde 1923, sendo creditada pela ONU, e representa mais de 3 mil organizações públicas e privadas em 90 países.

No dia 11 passado, Lauro Valdir de Souza, coordenador de Estudos do Comitê Brasileiro da WEC, apresentou aos professores, pesquisadores e alunos do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP as estratégias políticas e ações que estão sendo desenvolvidas para assegurar os sistemas de energia.

“O Conselho Mundial da Energia desenvolveu uma metodologia baseada no conceito que denominamos de trilema da energia”, explica Souza. “Essa filosofia é baseada no panorama atual e tem como meta garantir uma energia segura, acessível e ambientalmente responsável, servindo como referência para atenuar o risco e, ao mesmo tempo, atrair o financiamento necessário para concretizar projetos energéticos sustentáveis.”

A meta do WEC é o equilíbrio do trilema da energia, que abrange, primeiro, a segurança energética, que é a gestão eficaz do fornecimento de energia primária de origem nacional ou externa, a fiabilidade da infraestrutura e a capacidade dos fornecedores de energia de garantir a satisfação da procura atual e futura. O segundo ponto é a equidade energética, que é o acesso, a preços comportáveis, ao fornecimento de energia por toda a população. E o terceiro é a sustentabilidade ambiental, que engloba a obtenção de eficiências tanto do lado da oferta como da procura e o desenvolvimento da produção de energia a partir de fontes renováveis ou outras de baixo carbono.

Os estudos desenvolvidos pelos pesquisadores do conselho têm como proposta oferecer uma fonte fidedigna de fatos, índices e opiniões. As pesquisas são divulgadas em eventos nacionais e internacionais. Na avaliação do Conselho Mundial da Energia, esses estudos se consolidaram como uma referência para o diálogo permanente com a indústria e os governantes.

Propostas – O Comitê Brasileiro do Conselho Mundial da Energia, segundo o coordenador Lauro Valdir de Souza, tem um programa para ser cumprido no decorrer de 2015. “Nosso objetivo é promover um processo participativo do segmento energético brasileiro, discutindo a visão de cada um sobre o futuro da energia no Brasil e a adesão, ou não, dessas visões com os estudos do Conselho Mundial da Energia – ‘World Energy Trilemma’ e ‘World Energy Scenarios – 2050’.”

O evento no IEE: estratégias para o setor energético

O coordenador destacou também que os estudos que estão sendo desenvolvidos têm dimensões mundiais e a prioridade é focar a visão do futuro de energia no Brasil, para criar condições de analisar a aderência das visões brasileiras com as dos estudos do World Energy Council para o mundo. “A parceria entre o Comitê Brasileiro do Conselho Mundial da Energia e a empresa/entidade convidada, além de identificar contribuições importantes aos estudos, trará benefícios a todos os participantes na troca de ideias, no conhecimento de novas ferramentas e no tratamento de variáveis-chave em estudos de horizonte de longo prazo”, acredita o coordenador. “Nossa expectativa é de que cada empresa/entidade contribua com suas visões e críticas, tendo por base as capacitações, a abrangência de suas análises e estudos gerados internamente que estejam disponíveis”, esclarece. “Alguma empresa ou entidade poderá ter suas visões do futuro de energia também em nível regional e mundial, mesmo que parciais, somente na dimensão da sustentabilidade ambiental, por exemplo. Essas contribuições serão bem-vindas e devem ser contempladas nas análises críticas da empresa/entidade.”

O coordenador lembra que existe um projeto de regionalização do “World Energy Scenarios – 2050” para a América Latina e Caribe, com início previsto para este ano.  “Esse projeto estará aberto à participação de representantes das empresas/entidades convidadas pelo Comitê Brasileiro do Conselho Mundial da Energia.” As contribuições de cada empresa/entidade sobre as visões do futuro de energia no Brasil serão consolidadas, sob a coordenação do Comitê Brasileiro e em conjunto com representantes de empresas e entidades que queiram participar e, se houver contribuições em nível mundial, também serão consolidadas desde que submetidas ao conselho.

Debates: a energia como um desafio

Segundo o relatório do Conselho Mundial da Energia, apresentado em congresso realizado em Pequim, no último dia 19 de maio, o mercado de energia hidrelétrica global, que já representa 76% de toda a energia mundial renovável, tem o potencial de dobrar a capacidade de 2.000 GW em 2050. Na avaliação das pesquisas, essa meta pode ser alcançada até antes, se os governos e bancos multilaterais derem uma ajuda para as economias emergentes, em que os recursos hidrelétricos são subutilizados. O relatório observa: “Desde 2005, a energia hídrica tem visto um ressurgimento devido a uma melhor gestão e compreensão do que a tecnologia pode oferecer. É importante priorizar potência e armazenamento de energia, bem como os benefícios adicionais de gerenciamento de água doce, incluindo a proteção contra cheias e secas. Com a mudança de climas, a capacidade de armazenar água e fornecer energia limpa é a chave para as economias em desenvolvimento, em regiões onde o desenvolvimento de novas hidrelétricas tem um papel importante a desempenhar. O relatório informa ainda que as regiões onde há maior potencial de crescimento rápido estão na China, Índia, Brasil e Sudeste Asiático.”

Mais informações sobre os relatórios e eventos do Conselho Mundial da Energia podem ser acessadas no site  http://www.worldenergy.org.