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Painel da FAU é restaurado 32 anos depois

Publicado por thiagocastro96@gmail.com - Monday, 10 August 2015
Obra que faz parte da história da faculdade contou com a ajuda dos alunos de Arquitetura
THIAGO CASTRO
Alunos e mentores do painel da FAU

Alunos e mentores do painel da FAU

O painel Virado à Paulista, situado no último andar do prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, foi restaurado no final de julho, com a ajuda dos estudantes da unidade. Concebido em 1983 pelos então alunos José Luis Fairbanks e Oscar Oiwa, o painel se tornou parte da história do prédio.

O objetivo do painel é levar o exterior para o interior do prédio. A primeira ideia foi reproduzir uma janela, mas foi abandonada por seus idealizadores por ser muito clichê. “Em 1983, nós entramos na FAU e reparamos que o Estúdio 1 (último andar) não tinha janelas”, comenta José Luis Fairbanks. “Então eu e o Oscar tivemos a ideia de virar o concreto de forma a aparecer a cidade, como se fosse algo elástico. Um ‘virado à paulista’, porque estamos em São Paulo e deste andar não se consegue ver nada do lado de fora da cidade.”
Contando com cerca de 22 metros de painel, o mapa da cidade foi comprimido para poder retratar alguns pontos famosos, como o Parque Ibirapuera, a avenida 23 de Maio e o rio Tietê. O nome “Virado à Paulista” partiu da ideia de se fazer um trocadilho, relacionado com o fato de a obra pretender “virar” o concreto e também por se tratar de um famoso prato da região, criado espontaneamente na época das bandeiras para alimentar os bandeirantes paulistas em suas expedições.
Na época, Fairbanks conta que foi bastante simples conseguir autorização para confeccionar o painel. João Batista Vilanova Artigas, professor e arquiteto mentor da FAU, solicitou um desenho do projeto antes de autorizá-lo, e a dupla entregou uma maquete. Gostando do projeto, Artigas deu aval verbalmente para a execução da pintura. “Essa aprovação foi uma das coisas bacanas da unidade, que continua acontecendo: a liberdade de expressão que temos aqui. Para a criatividade, isso é muito necessário. É o que difere, na minha opinião, a FAU das demais faculdades de arquitetura da América Latina.”
Apesar de concebido pelos dois, os calouros da época também contribuíram. Eles passaram uma lista para todos os alunos do primeiro ano para convidar aqueles que desejassem ajudar. Todo o processo da obra durou cerca de seis meses, pois era proibido pintar durante os dias de aula, restando apenas os finais de semana. Os alunos que contribuíram foram listados em uma placa pintada ao lado do painel.
Trinta e dois anos após a conclusão do Virado à Paulista, alguns desenhos e pichações foram feitos em cima do painel, além de ter ocorrido o natural desbotamento das cores devido à ação do tempo.
Restauração do Painel da FAU

Restauração do Painel da FAU

Aprovação – Com a recente reforma do prédio, Oscar Oiwa teve a ideia de restaurar o painel, que foi prontamente aprovada por Fairbanks. Em fevereiro, conversaram com a diretora Maria Ângela Faggin, que concordou com o projeto. “A solicitação do restauro do painel partiu dos próprios autores e foi aprovada pela Congregação. Ele é parte intrínseca da faculdade, pois foi incorporado ao Edifício Vilanova Artigas”, comenta a diretora.
Apesar disso, ainda era preciso passar por uma série de trâmites burocráticos para a ideia sair do papel, visto que o prédio está atualmente tombado. Foram necessários diversos documentos, fotos e reuniões, durante quase três meses, para o restauro ser finalmente aprovado.
Marcou-se o processo para o final de julho, pois Oscar Oiwa estaria de volta ao Brasil, após uma exposição no Japão, e também por ser o período das férias escolares. A FAU colaborou não só com a autorização, mas também cedendo todo o material necessário para a pintura. Assim como três décadas atrás, os calouros também participaram. “Queríamos manter a mesma ideia e fazer com que os alunos atuais participassem. Nós já nos formamos, não somos mais da FAU. Quem faz a escola são os alunos, o corpo docente e quem mais está atualmente aqui”, comenta o arquiteto.
A dupla apresentou o projeto durante alguns minutos de aula cedidos pelo professor Angelo Bucci, professor de Projeto de Edificações da FAU, e foi passada uma lista em que os alunos interessados se inscreveram para participar da restauração. Cerca de 30 alunos assinaram e dez efetivamente participaram da ação.
José Fairbanks ressalta que o contato com os alunos foi muito importante em todo o processo. “Isso é o mais legal. A FAU é um marco para todos que estudam aqui. Amo esta faculdade e acho que todos compartilham desse sentimento de gostar e de querer voltar algum dia. E essa oportunidade de fazer de novo, de ter contato com os alunos me fez sentir bastante feliz e orgulhoso. Não pelo painel em si, mas principalmente por poder colaborar com a nossa escola culturalmente, depois de tanto tempo, e por ter a oportunidade de passar aos alunos toda essa experiência.”