Home » 1078 (07.09 a 13.09.2015), Ciência

A pressão arterial sob controle

Publicado por andremcdg@gmail.com - Monday, 7 September 2015

Pesquisadores da USP e do Canadá atuam em projeto que busca reduzir problemas cardiovasculares no Brasil, Haiti e Camarões

RITA STELLA

De Ribeirão Preto

A pesquisadora brasileira Eugênia Velludo Veiga, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, e sua colega canadense Lyne Cloutier, da Université du Québec à Trois-Rivières (UQTR), trabalham no projeto Rastreamento da Hipertensão Arterial em Países Emergentes, para reduzir problemas cardiovasculares no Brasil, Haiti e Camarões. No Brasil, o objetivo é construir um banco de dados nacional que reflita de fato os valores da pressão arterial na população brasileira. Para isso, os pesquisadores iniciaram os trabalhos da fase preliminar do projeto, que ocorreu em abril deste ano, na Campanha Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, comemorada no dia 26 de abril.

Durante essa campanha, foram colocados em prática projetos elaborados especificamente para três cidades brasileiras: Ribeirão Preto, Franca e São Paulo. Antes de colocá-los em prática, a pesquisadora informou que foram realizados treinamentos por videoconferência, principalmente para atualizar os profissionais que medem a pressão arterial, em especial quanto aos fatores de risco para doenças cardiovasculares. Também lembraram de cuidados extras que se deve ter, como a calibração dos aparelhos.

A pesquisadora Eugênia (primeira da direita para a esquerda). Foto: Divulgação EERP

Os pesquisadores em atividade: mobilização de professores, alunos e profissionais de saúde. Foto: Divulgação EERP

Somente nessa primeira ação, em abril, das 204 pessoas avaliadas, 35% apresentaram pressão arterial elevada no momento da medida e, destas, 25% desconheciam a presença da hipertensão. Os trabalhos, realizados nas três cidades paulistas, mobilizaram alunos de graduação e pós-graduação e profissionais de instituições de saúde, que chegaram à população em parques e terminais rodoviários, esclarecendo sobre a doença silenciosa e medindo a pressão arterial dos populares.

A ação de abril contou com a colaboração dos professores Luiz Aparecido Bortolotto, da Faculdade de Medicina da USP e diretor da Unidade de Hipertensão Arterial do Instituto do Coração (Incor) da USP, Maria Claudia Irigoyen, da Faculdade de Medicina da USP e presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), Leila Maria Marchi Alves e Simone Godoy, ambas da EERP, Evandro Cesarino, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, Cynthia Bachur, da Universidade de Franca (Unifran), Frida Plavnik (SBH), Carlos Alberto Machado, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), alunos de graduação e pós-graduação e profissionais de instituições de saúde.

Foto: Divulgação EERP

Rastreamento – A pesquisadora antecipa que o “foco do rastreamento está tanto na comunidade quanto na atualização dos profissionais que estão envolvidos” e que essas ações devem ser estendidas para outros Estados brasileiros em breve. Elegerão, para isso, datas comemorativas “relacionadas a doenças cardiovasculares, junto com as sociedades especialistas, como, por exemplo, as Sociedades Brasileiras de Cardiologia e de Hipertensão e a Sociedade Estadual de Nefrologia (que promove o Dia do Rim)”.

O projeto de rastreamento da hipertensão arterial é financiado pela Agência Universitária da Francofonia (AUF), associação fundada no Canadá que financia projetos universitários de ensino e pesquisa. Ele integra um projeto maior do grupo internacional de pesquisadores e especialistas em hipertensão arterial – o Blood Pressure Screening Programs Groups, liderado pelo também canadense professor Norm Campbell, da Universidade de Calgary.

O grupo foi criado em 2013 pela World Hyperthension League (WHL), com sede nos Estados Unidos. As representantes do Brasil e do Canadá, respectivamente, nesse grupo de especialistas em hipertensão, são as professoras Eugênia e Lyne. E o objetivo do grupo é aplicar, em outros países, a experiência canadense bem-sucedida em rastreamento da hipertensão arterial.

Foto: Divulgação

Segundo a professora brasileira, o Canadá “foi bem-sucedido porque identificaram muitas pessoas com pressão arterial elevada. Aumentaram a taxa de controle da pressão e, consequentemente, reduziram as taxas de mortalidade cardiovascular a custo baixo”. Perseguindo o mesmo objetivo para a população brasileira, a pesquisadora diz que querem “identificar o valor alterado da hipertensão e mandar tratar”. Ela adianta que já participam do projeto nacional várias universidades brasileiras, com um Comitê Consultivo Brasileiro vinculado à Liga Mundial de Hipertensão.

Em junho último, a professora Eugênia e a pesquisadora da EERP Ana Carolina Queiroz Godoy Daniel (aluna de doutorado da EERP) estiveram na Université du Québec, com a professora Lyne, atuando no projeto de rastreamento da hipertensão. A cooperação entre a EERP e a UQTR, afirmam as pesquisadoras brasileiras, “está rendendo bons frutos”, com estágios de alunos da USP de Ribeirão na universidade canadense.

Colaborou Raquel Duarte, de Ribeirão Preto