Home » 1081 (28 a 04.10.2015), Vamos

A arte transgressora do circo

Publicado por carollfts@gmail.com - Monday, 28 September 2015

De mostras cinematográficas até debates e oficinas, diversas atividades circenses serão promovidas durante o mês de outubro pelo Coletivo Interdisciplinar de Pesquisas Circenses da USP, o Circusp

PAULA LEPINSKI

I Clowns (1970), de Federico Fellini, sobre o fascínio dos palhaços

O Circusp nasceu no início de 2015 da união de alunos espalhados por diferentes unidades uspianas, todos eles ligados às artes circenses de alguma forma. Foi a partir do Infesta Circus, evento que une artistas de circo e acadêmicos, e do Laboratório Experimental de Arte-Educação e Cultura da Faculdade de Educação (FE) da USP que esses alunos se conheceram, fizeram contatos fora da Universidade e formataram ao longo dos anos o que viria a ser o coletivo. Atualmente, ele conta com seis membros: Marco Guerra, Lúcio Maia, Narayan Barreira, Guilherme Boranga, Juliana Gusmão e Thiago Batista. Para inserir a cultura do circo e contribuir para aumentar o reconhecimento do coletivo pela Universidade, em outubro o Circusp realiza diversas atividades ligadas às artes circenses, tentando abarcar a magia, as tendas, o parque de diversões e até o show de horrores. A abertura acontece na próxima segunda, a partir das 12h, com a Sessão Vaudeville de curtas.

Além de performances, a programação inclui o Encontro Circo SP, o 1º Encontro Circo-Arte e Educação: Para uma Pedagogia do Palhaço e a mostra de cinema O Circo Chegou!, organizada em parceria com o Cinusp. A ideia de criar um mês com atividades especiais surgiu a partir da parceria entre o Circusp e o Cinusp. “O projeto foi crescendo de repente. A ideia inicial era apenas continuar com o Infesta Circus e exibir um filme, mas aí pensamos: por que não evoluir isso para uma mostra?”, conta Marco Guerra, que, além de participar do coletivo, também é fundador do Infesta Circus e responsável pelo núcleo de circo do Lab Arte. “Depois disso, veio a ideia de inserir apresentações que mostrassem o elo entre o cinema e o circo, e isso cresceu para um calendário integrado que acabou incluindo a realização do Encontro Circo SP na USP e a participação do coletivo na Virada Científica”, relata.

Mostra cinematográfica – A parceria entre o Circusp e o Cinusp aconteceu por acaso, mas tornou-se a base da programação especial de outubro do coletivo. “Chegamos à porta do Cinusp quase de surpresa, como se disséssemos ‘ei, o circo chegou!’”. O nome da mostra sugere que o mesmo acontecerá com a Universidade, estamos chegando de repente com uma mostra de filmes sobre o circo”, explica Narayan Barreira, aluno de Educomunicação. A mostra acompanha apresentações circenses no Ágora, espaço próximo ao Cinusp, com a intenção de mostrar o elo entre a arte circense e o cinema. “Essa relação cinema-circo nasceu há muito tempo, é quase como se o berço do cinema fosse o próprio picadeiro. As primeiras projeções de filmes aconteciam em feiras e circos, então era difícil distinguir onde começava um e outro”, explica Lorena Duarte, do Cinusp. “Também tem a questão de que ninguém compreendia a tecnologia, por isso o cinema inicialmente lembrava algo mágico, fantástico, como os espetáculos de circo”, complementa Pedro Nishi, também do Cinusp.

A Sessão Vaudeville, programação especial do Cinusp, exibe curtas-metragens que mostram essa relação do cinema com o circo, seguidos de comentários do professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP Eduardo Morettin. Entre os longas, destaque para The Circus (1928), filme escrito e dirigido por Charles Chaplin, e I Clowns (1970), de Federico Fellini, sobre o fascínio do palhaço. Ainda acontece um especial em homenagem ao palhaço Abelardo Pinto Piolin (1897-1973), referência dos picadeiros que influenciou o teatro popular desde a década de 20, com a apresentação do curta Sua Majestade, o Piolin (1971), de Suzana Amaral, que fala da carreira no circo, do relacionamento com os modernistas e apresenta um número com o palhaço Tony; e do documentário Piolin, o Corpo e a Alma do Circo, de Walter de Sousa, seguidos de debates com os diretores.

Encontros – Semanalmente, acontecem encontros por São Paulo de grupos circenses, como na Vila Madalena e na Praça Roosevelt. Este ano está programado um “encontro dos encontros”, segundo Marco Guerra, dentro da Virada Científica da USP, que será realizada no dia 17 de outubro, na Praça do Relógio, na Cidade Universitária. Haverá um palco especial para o Encontro Circo SP com 13 horas de atividades que incluem treinos livres, trocas de experiências e oficinas. Haverá também o Palco Aberto, no qual qualquer um pode se apresentar de forma mais espontânea, e o Espetáculo de Variedades Circenses. Já o 1º Encontro Circo-Arte e Educação: Para uma Pedagogia do Palhaço, que acontece nos dias 21, 22 e 23 de outubro, reúne mesas, palestras e oficinas que vão abordar o tema das artes circenses dentro da formação dos pedagogos e professores. “Os pedagogos não têm formação artística, mas poderiam ter”, afirma Marco Guerra. “O palhaço é capaz de ensinar como lidar com o próprio corpo. O riso, o corpo, a transgressão e a imersão são ensinamentos que todos deveriam aprender.”

No dia 22, acontece o Infesta Circus no Canil da Escola de Comunicações e Artes da USP, para celebrar, segundo Barreto, o mês do circo na USP. “Será uma noite de espetáculos que mostrará o circo contemporâneo, experimental”, diz. O coletivo se define um braço da comunidade circense do Brasil dentro da USP e afirma que quer institucionalizar o Circusp. “Ter uma sede na Faculdade de Educação e também oferecer um curso de circo dentro da USP como projeto de extensão ou como uma disciplina de Pedagogia também são nossos objetivos”, diz Marco Guerra.
O Circo Chegou na USP começa na próxima segunda, dia 5 de outubro, com abertura às 12h, no Ágora (próximo ao Restaurante Central), e vai até o dia 23 de outubro. Mais informações sobre os encontros e a mostra de cinema nos sites www3.fe.usp.br, www.viradacientifica.usp.br e http://cleo.bz/cinusp.