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Esporte para a vida e para todos

Publicado por carollfts@gmail.com - Monday, 5 October 2015

Projeto Esporte Talento – iniciativa do Cepeusp voltada para a difusão do esporte como meio de desenvolvimento humano – completa 20 anos de atividades

CAROLINA OLIVEIRA

Atividades do Esporte Talento em 1997 (acima) e atualmente (abaixo): em 20 anos de atividades, mais de 3 mil meninos e meninas já foram beneficiados pelo projeto. Foto: Jorge Maruta/ Arquivo Jornal da USP

Quando se pensa em esporte, logo vem à mente a imagem de grandes competições, como as Olimpíadas e a Copa do Mundo de Futebol. Mas o que pouca gente se lembra é de que a prática esportiva não precisa ser necessariamente associada a atletas de alto rendimento, como se vê em tais competições internacionais. Por isso, o Projeto Esporte Talento (PET) do Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp) vem mostrando, há duas décadas, a importância do esporte como via de desenvolvimento humano e educação. No próximo dia 17, sábado, uma série de eventos vai comemorar os 20 anos do projeto (leia o texto ao lado).

Fundado em 1995, o PET já trabalhou com mais de 3 mil meninos e meninas ao longo de suas duas décadas de existência. O projeto nasceu de uma iniciativa do Instituto Ayrton Senna – fundado um ano depois da morte do piloto, em 1994. À época, o instituto também fez parceria com várias outras universidades brasileiras.

Em meados de 2009, contudo, o PET passou a ser vinculado ao Programa de Desenvolvimento Humano pelo Esporte (Prodhe), da própria USP. “A partir de então, ampliamos um pouco o foco de ação, buscando não só oferecer uma atividade esportiva para crianças, mas também atuar na produção e disseminação de conhecimento sobre esporte e desenvolvimento humano”, diz a professora Paula Korsakas, coordenadora do Prodhe.

Foto: Marcos Santos

Iniciação – Atualmente, o PET trabalha com crianças de 8 a 16 anos, que participam de atividades no Cepeusp três vezes por semana. Paula explica que o trabalho muda de acordo com a faixa etária. As crianças mais novas passam por um processo amplo de iniciação esportiva, que promove a ampliação de seu vocabulário motor. A partir de 11 ou 12 anos, as atividades se tornam um pouco mais específicas, incluindo o início de trabalho com modalidades esportivas. Já os mais velhos, entre 13 e 16 anos, focam em modalidades nas quais querem se aperfeiçoar. “Portanto, é um projeto de iniciação e formação esportiva”, diz a professora. “Defendemos a prática esportiva vista numa experiência mais ampla em relação às experiências corporais que as pessoas podem ter, e essas experiências são muito importantes para a formação ao longo da vida.”

Metade das vagas do PET é reservada para filhos de funcionários, professores e alunos da USP, enquanto a outra metade fica aberta à comunidade externa. Não há seleção relacionada à aptidão física das crianças. Os interessados preenchem uma ficha de inscrição e, por meio dela, é avaliada a disponibilidade da criança em comparecer às atividades, além da possibilidade que o aluno tem de praticar atividade física em outros ambientes. “Damos prioridade a quem não tem acesso a outra prática esportiva”, afirma Paula.

Também participam educandos com deficiências mentais e físicas e, de acordo com a professora, todos trabalham no mesmo grupo, sem nenhuma adaptação específica. “É muito bacana ver como as outras crianças acolhem aquelas que têm deficiência e conseguem promover um processo de inclusão de verdade mesmo, mostrando que elas não precisam ser tratadas como coitadinhas, que elas também podem ser desafiadas”, diz.

O projeto conta hoje com uma equipe de cinco educadores formados em Educação Física e Esporte, além de bolsistas do programa Aprender com Cultura e Extensão, da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU). Paula conta que participa do PET desde seu segundo ano de faculdade, quando ainda era uma jovem aluna da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE). Indo de auxiliar de basquete a gestora do projeto, a professora pôde acompanhar de perto toda a história do PET. “Quase toda a equipe está lá desde o começo”, lembra.

Formação – Paula aponta que uma das principais diferenças do PET é enxergar a criança a partir de suas especificidades. “A ideia é que cada um possa se desenvolver ao máximo dentro de seus limites”, diz.

Muitas vezes, a própria educação física ensinada nas escolas trabalha com uma noção de esporte competitivo, em que crianças menos aptas são excluídas da prática esportiva. A professora argumenta que tal experiência desfavorável na infância pode levar muitos adultos a não praticarem atividade física ao longo da vida. “Na cultura esportiva que temos hoje, ainda prevalece a visão de que o esporte serve para selecionar os melhores e formar atletas”, lamenta. “Mas nós, do PET, insistimos em que, na infância, a ótica é justamente o contrário.”

Paula avalia que o problema não está na competitividade ou no esporte de alto rendimento. Os próprios educandos do PET participam de torneios em alguns fins de semana. Contudo, o diferencial reside na abordagem utilizada. “Nossas competições tentam estimular o autoconhecimento, mais do que a disputa com o outro”, diz a professora. “Buscamos incentivar as crianças a se autossuperar sempre, a tentar fazer melhor, a descobrir como elas são mais capazes do que poderiam imaginar.”

Um dia inteiro de comemorações

Paula Korsakas: projeto de formação e iniciação científica

Uma série de atividades está programada para celebrar os 20 anos do PET. Há algumas semanas, o artista plástico André Ricardo, ex-educador do projeto e ex-aluno da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, vem coordenando uma intervenção na fachada da sede do Prodhe, além da criação de uma placa colaborativa em homenagem a Ayrton Senna e ao projeto.

O resultado poderá ser visto no próximo dia 17 de outubro, data oficial de celebração dos 20 anos do projeto e escolhida por marcar a 52ª edição da Volta da USP. Inclusive, uma das atividades organizadas pelo Prodhe será a primeira edição da Voltinha da USP, que neste ano é direcionada a filhos de educadores e ex-educandos.

O evento, que ocorre na sede do Prodhe, na Praça Ayrton Senna do Cepeusp, também contará com apresentação do ex-educando Luan Santos, que tocará viola clássica. Por fim, haverá o lançamento do documentário Prodhe 20 anos, com imagens e depoimentos que contam a história do projeto. O vídeo foi produzido nos últimos três meses, em parceria com o Museu da Pessoa e com o Instituto Ayrton Senna. Na mesma data, o Museu da Pessoa lançará em seu portal um hotsite especial, trazendo conteúdo extra sobre a história do projeto (a página estará disponível em www.museudapessoa.net). “Será um dia inteiro de comemoração e esportes”, afirma a professora Paula.