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Órgão da Universidade vai para a Catedral da Sé

Publicado por mabi.barros.s@gmail.com - Monday, 14 December 2015

Instrumento adquirido pela USP em 2013 será instalado na Catedral Metropolitana de São Paulo, de acordo com convênio aprovado no dia 8 de dezembro pelo Conselho Universitário

IZABEL LEÃO

Órgão está encaixotado. Foto: Marcos Santos.

Em reunião realizada no dia 8 de dezembro, o Conselho Universitário da USP aprovou um convênio entre a Universidade e a Mitra Arquidiocesana de São Paulo para a montagem, instalação e utilização, na Catedral Metropolitana de São Paulo, na Praça da Sé, do órgão fabricado pela empresa alemã Gerhard Grenzing e adquirido pela USP em 2013 (leia o texto abaixo).

Segundo a assessora da Reitoria Claudia Toni, a instalação do órgão na Catedral da Sé beneficiará toda a população, pois é um local de fácil acesso, servido de ônibus e Metrô e que recebe muitas visitas. “É um lugar de caráter ecumênico, não importa quem possa passar por lá e ouvir. Sobretudo porque sabemos que a experiência de entrar numa igreja e ouvir o som de um órgão, sentar e ficar circundado pela música, que sai de um instrumento pensado para ser tocado principalmente numa nave de igreja, é inigualável”, analisa. “Nossa ideia é deixar um instrumento maravilhoso acessível a toda a população, que, aliás, é quem mantém nossos salários e financiou o pagamento do órgão.” O órgão, que custou US$ 3 milhões, está desmontado e guardado no Prédio da Administração Central da USP, na Cidade Universitária, em São Paulo.

De acordo com José Luís de Aquino, do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, especialista em órgão – que foi consultado para a elaboração do acordo com a Igreja –, o convênio contempla atividades didáticas, artísticas e de extensão, com previsão de ensaios diários para os alunos de Música da ECA. “Como a catedral tem horários flexíveis, ficando aberta o dia todo, pretendemos programar apresentações gratuitas de grande repercussão”, planeja Aquino. “O órgão é um instrumento eclético e de última geração, segundo as especificações da compra.”

O professor acredita que esse convênio vai oferecer um amplo leque de opções para os alunos da Universidade, abrindo várias oportunidades de trabalho como organista, regente de orquestra, coro e montagem de coral com a população, assim como formação litúrgica, musical e coral. “É um espaço magnífico, grande e com uma acústica muito boa. Excelente para se fazer concertos maravilhosos”, observa.

Doação – Há um segundo órgão na USP. De origem italiana, foi produzido pelo fabricante Tamburini – o mesmo do órgão do Teatro Municipal de São Paulo e de muitas igrejas na Europa. Foi doado por Tereza Hollnagel, organista amadora que ganhou o órgão de presente do seu marido e mandou instalá-lo em sua fazenda em Itapecerica da Serra, em 1954.

Quando ficou viúva e quis vender a propriedade para morar em São Paulo, precisava dar um destino ao órgão de 3 mil tubos. Foi quando decidiu doá-lo à USP. “O órgão chegou em perfeito estado na Universidade e nunca foi encontrado um local para instalá-lo. Desde 2005 está guardado em dois contêineres na garagem de ônibus da Prefeitura de São Paulo”, explica Claudia.

Segundo a assessora da Reitoria, esse órgão será restaurado e até o final de 2016 deverá ser instalado no Anfiteatro Camargo Guarnieri, na Cidade Universitária, em São Paulo.

O professor José Luís de Aquino conta que esse órgão pesa sete toneladas e se constitui de mais de 5 mil peças. Foi projetado pelo maestro Fernando Germani, organista titular do Vaticano e catedrático de Órgão da Academia de Santa Cecília, em Roma. É composto de quatro teclados manuais, com pedaleira completa e características técnicas e estéticas luxuosíssimas. “Seus recursos são sofisticados para a construção de órgãos atuais. Na época era glamouroso ter órgão em casa”, explica.

Acordo favorece ensino e pesquisa

O órgão doado para a USP em 2005: ainda sem uso.

Segundo a Assessoria de Imprensa da Reitoria, o acordo aprovado pelo Conselho Universitário, no dia 8 de dezembro, entre a USP e a Mitra Arquidiocesana de São Paulo tem como objetivo apoiar, incentivar, assistir, desenvolver e promover a cultura e a educação e tornar a música acessível a parcelas maiores e mais carentes da população. Fabricado por Gerhard Grenzing, dono de uma das mais conceituadas fábricas de órgãos da Europa, a Casa Grenzing, o órgão tem 3.400 tubos de metal e 175 tubos de madeira e é composto por cinco corpos.

Ainda de acordo com a assessoria, inicialmente estava previsto que o órgão seria instalado no Centro de Convenções da USP, na Cidade Universitária, em São Paulo. No entanto, devido às restrições orçamentárias da Universidade e à suspensão das obras, o processo de construção do centro foi interrompido. Por conta das características especiais do instrumento, a USP não dispunha de outro local para instalá-lo. “A escolha de instalação na Catedral da Sé levou em conta, principalmente, o aspecto acadêmico da parceria, que será desenvolvida em conjunto com a Escola de Comunicações e Artes (ECA)”, informou a assessoria.

“O órgão será instalado na Catedral da Sé para que os estudantes e professores de Música da USP e de outras universidades possam praticar o aprendizado dessa área da música”, disse o reitor Marco Antonio Zago, segundo a nota da assessoria. “Há benefício mútuo. A catedral se beneficia da instalação de um importante instrumento, assim como a Universidade, por poder ampliar e avançar no ensino e na pesquisa.”