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Acolhe USP mostra devastação provocada pelo álcool e drogas

Publicado por leticiapfuentes@gmail.com - Monday, 22 February 2016

Durante a 18ª Semana de Recepção aos Calouros, programa de prevenção da Universidade orientou os novos alunos sobre os possíveis efeitos do consumo dessas substâncias

Fotos: Marcos Santos
Tenda de serviços do Acolhe USP: testes e orientação

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IZABEL LEÃO

Para os calouros, a entrada na Universidade costuma ser um momento de celebração, em que o uso de álcool e drogas pode estar presente. Em pequenas ou grandes doses, tanto o álcool como as drogas provocam sensação de euforia, desinibição, prazer e alegria, e em doses elevadas podem causar acidentes, comportamentos violentos, coma alcoólico, amnésia, overdose e até a morte.

Pensando na prevenção desses problemas, o Programa Acolhe USP promoveu, durante a 18ª Semana de Recepção aos Calouros da USP – ocorrida do dia 15 ao 19 passado –, atividades como palestras e exibição de filmes e manteve uma tenda de serviços, em frente ao Restaurante Central da Cidade Universitária (nos dias 16 e 19) e na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), na USP Leste (no dia 18).

Na tenda de serviços, três atividades aconteceram concomitantemente, em parceria com o Acolhe USP: o Grupo de Tabaco do Hospital Universitário (HU) aplicou testes para diagnosticar a tendência entre os jovens ao uso de tabaco e o Ambulatório de DST-Aids do Serviço de Assistência Especializada (SAE) do Butantã distribuiu preservativos e deu orientação para que os interessados fizessem o teste rápido para detecção do HIV na sede do SAE (avenida Corifeu de Azevedo Marques, 3.596, Butantã, telefone 11 3768-1523). “Com isso, mostramos os benefícios para a saúde quando se faz um trabalho preventivo”, explica Greice Oliveira, assistente social do Programa Acolhe USP.

Foto: Marcos Santos
Marília e Greice, do Acolhe USP: os benefícios da prevenção

Para a equipe do Acolhe USP, coube promover o teste Cage para detecção de abuso de álcool, um instrumento de triagem rápido e dinâmico, com quatro perguntas. Nos casos de detecção de algum problema, a equipe sugeriu atendimento com os especialistas do Acolhe USP. O enfermeiro Renato Kazuhiro Ozeki alerta que esse teste não faz diagnóstico. “É um teste que apenas tenta detectar, numa primeira instância, se o indivíduo é passível de sofrer de dependência do álcool. O questionário busca saber se a pessoa acha que deveria diminuir a quantidade de bebida ingerida ou parar de beber, se ela se aborrece quando as pessoas criticam seu modo de beber, se se sente culpado pela maneira como costuma beber, e se costuma beber pela manhã para diminuir o nervosismo ou a ressaca”, explica.

A tenda de serviços também foi dedicada ao Espaço Selfie, onde os calouros podiam se fotografar identificados com a placa da unidade de ensino em que ingressaram. “Dessa forma, trabalhamos com os jovens o conceito de se orgulhar por ser da USP”, explica Greice.

Cinema – Outra atividade de destaque aconteceu no Cinema da USP (Cinusp), na tarde do dia 17, quando foram exibidos dois documentários, buscando promover debates sobre o tema álcool e drogas. Um desses documentários foi O Cheiro de Álcool, uma produção independente da banda Nuestro Ódio, de Osasco (SP), que, através de depoimentos, relatos e pesquisas, transcreve em vídeo parte dos fatos que cercam a realidade do álcool e o mercado que ele impulsiona.

O outro documentário apresentado, Vozes de Guerra, de Luka Melero, trata da questão da legalização da maconha, discutida como uma ferramenta de segurança pública, a partir de moradores de uma comunidade do Rio de Janeiro, um policial e um ex-traficante. As duas produções estão disponíveis na rede social YouTube.

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Consumo precoce favorece dependência

Segundo um levantamento sobre consumo de álcool e drogas na USP, apresentado em 2011 na tese de doutorado de Gabriela Arantes Wagner, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP, quase toda a população discente da USP já fez uso de álcool na vida. As drogas com maior prevalência de uso são o tabaco, com 52%, e a maconha, com 33,6%.

A tese “Álcool e Drogas: Terceira Pesquisa sobre Atitudes e Uso entre Alunos da Universidade de São Paulo – Campus São Paulo” mostra que, quanto mais precoce o uso de substâncias psicoativas, maior o efeito cumulativo, o que, somado à frequência de uso, à quantidade utilizada e ao tipo de substância, pode levar à instalação de uma dependência química já no primeiro ano após a experimentação.

A pesquisa de Gabriela estima uma prevalência do uso de drogas em 81,5% dos 4.759 alunos sorteados para compor a amostra, que foi realizada em 2009. “Desses, verificou-se que, na vida, 92,5% dos alunos fizeram uso de álcool, 52,1% de tabaco e 43,7% de outras drogas. Entre as outras drogas, a maconha foi predominante, com prevalência de uso entre 33,6% dos alunos pesquisados.”

A pesquisadora aponta a importância do desenvolvimento de programas de prevenção e tratamento de problemas ligados ao uso de álcool e outras drogas para os estudantes universitários.