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Filmes de horror para ver entre as frestas dos dedos

Publicado por mabi.barros.s@gmail.com - Monday, 14 March 2016

A partir desta segund,a o Cinusp exibe mostra que reúne 25 títulos de terror, incluindo as inúmeras facetas do gênero, do teatro até a literatura especializada

CLAUDIA COSTA

O Iluminado, clássico do terror dirigido por Stanley Kubrick e baseado em livro de Stephen King

Uma família se hospeda em um hotel isolado em meio a uma nevasca, onde uma presença obscura leva o pai à violência, enquanto seu filho tem visões dos horrores do passado e do futuro. Visual e sonoramente impactante, O Iluminado (EUA, 1980), de Stanley Kubrick, recorre mais a esses recursos do que a cenas explicativas, comuns no gênero. Baseado no livro homônimo de Stephen King, é um inegável clássico do terror, trazendo no elenco Jack Nicholson e Shelley Duvall. Ele está entre os 25 filmes exibidos na mostra “Carnificina”, que começa nesta segunda no Cinusp. A ficção de horror foi um gênero considerado mero entretenimento e, por isso, secundarizado no meio cinematográfico. Para valorizar esse cinema popular e importante, a curadoria da mostra leva em consideração todos os meios de expressão artística, do teatro Grande Guignol até a literatura especializada, tentando abarcar suas inúmeras facetas.

O perturbador e angustiante Medo, com direção de Gerald Kargl e fotografia de Zbigniew Rybczyński

Segundo a curadoria, o cinema de terror opera uma contradição gerada na mente do espectador, atuando entre sua repulsa ao que se passa na tela e seu ímpeto voyeur, que assiste ao horror iminente, compartilhando olhos arregalados, gritos de susto e respirações presas daqueles que, escondidos com as mãos no rosto, assistem a tudo pelas frestas dos dedos. É essa contradição que o Cinusp apresenta por meios de clássicos como o já citado O Iluminado e Frankstein (EUA, 1931), de James Whale; filmes cult como O Massacre da Serra Elétrica (EUA, 1974), de Tobe Hooper, que foi banido em diversos países devido à sua violência explícita; e, outros pouco exibidos, entre eles, o austríaco Medo (1983), de Gerald Kargl, filme perturbador e angustiante que conta com a assinatura do premiado fotógrafo polonês Zbigniew Rybczyński – o filme é baseado na história do serial killer Werner Kniesek, e narra em off a história de um psicopata esquizofrênico, que é liberado da prisão e imediatamente sente necessidade de matar (o espectador pode ouvir a mente do assassino, o que pensa e por que age dessa forma). Há também o experimental Begotten (EUA, 1990), de E. Elias Merhige, que conta a história surreal da morte e renascimento de deuses; e outros que inovaram, inaugurando tendências e subgêneros do terror, como gore, slasher film, torture porn, filmes de zumbi e filmes de monstros.

Esta Noite Encarnarei Teu Cadáver, de José Mojica Marins, um dos maiores diretores de terror da história do cinema brasileiro

Na seleção de brasileiros, Esta Noite Encarnarei Teu Cadáver (1967), obra-prima de José Mojica Marins, criador e intérprete do personagem Zé do Caixão, que no filme continua em busca da mulher perfeita para dar à luz seu filho, enquanto segue suas práticas iconoclastas e sádicas, aterrorizando os habitantes de sua pequena cidade. Além do recente Fábulas Negras (2015), assinado por José Mojica Marins, Rodrigo Aragão, Joel Caetano e Peter Baiestorf, sobre quatro garotos que brincam de super-heróis no meio do mato até que, em um intervalo, eles passam a contar histórias repletas de suspense e terror, supostamente verídicas, envolvendo lendas urbanas – haverá uma sessão no dia 12 de abril, seguida de debate com a professora Laura Cânepa. A programação ainda conta com as pré-estreias brasileiras de Para Minha Amada Morta (2016), de Aly Muritiba, sobre um homem que descobre a infidelidade da mulher e quer vingar a imagem de sua amada, e Mate-me Por Favor (2016), de Anita Rocha da Silveira, acerca de uma onda de assassinatos que invade o bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, até que uma garota, depois de um encontro com a morte, faz de tudo para ter certeza de que está viva.

A mostra “Carnificina” começa nesta segunda e vai até o dia 17 de abril, com sessões de segunda a sexta, às 16h e 19h, no Cinusp (r. do Anfiteatro, 181, favo 4 das Colmeias, Cidade Universitária, tel. 3091-3540); e às sextas, às 20h, sábados e domingos, às 18h e 20h, na Sala Maria Antonia (r. Maria Antonia, 294, Vila Buarque, tel. 3123-5200). Grátis. Programação completa no site www.usp.br/cinusp.