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Uma nova e mais veloz realidade

Publicado por admin - Monday, 25 April 2016

MARCELLO ROLLEMBERG
Este Jornal da USP que você tem em mãos, caro leitor, é uma edição histórica. Não apenas pelo seu conteúdo, que aponta para o futuro das mídias da Superintendência de Comunicação Social, mas porque, a partir desta edição, o Jornal da USP deixará de circular em sua versão impressa. Do dia 2 de maio em diante, ele passará a existir apenas em sua versão on-line (www.jornal.usp.br). O nome, claro, continuará o mesmo, Jornal da USP. Fora isso, quase tudo vai ser novidade. Em vez de semanal, como hoje, teremos uma publicação que vai contar com várias atualizações por dia. Além de textos e fotos, terá também conteúdos em áudio e vídeo. As notícias chegarão até você em múltiplas linguagens e muito mais rapidamente. Ou seja: o ganho de informação será enorme.
Para que você tenha uma ideia melhor do que significa esse ganho de velocidade, considere o intervalo que existiu até hoje entre o fechamento das matérias e a distribuição destas páginas impressas que você tem agora em mãos: nada menos do que cinco dias. Isso mesmo, o jornal distribuído às segundas-feiras pelas escolas e institutos da USP foi fechado na redação cinco dias antes, quer dizer, na quarta-feira anterior. Convenhamos que, em tempos de internet, quando a rapidez é parte da qualidade da informação, um intervalo de cinco dias era inaceitável.  Era uma realidade que nos incomodava e precisávamos fazer algo para reverter esse quadro, no qual o grande prejudicado acabava sendo o leitor. Tínhamos de deixá-la para trás, e foi o que fizemos.
Agora, o que demorava cinco dias passa a ser instantâneo. E não é só: além de estar acessível por meio de qualquer dispositivo que se conecte à internet, o seu Jornal da USP também estará em breve em tablets e smartphones, graças a um novo aplicativo especialmente desenvolvido.
A lista de vantagens não para aí. Há também o ganho econômico, que é substancial para as economias da USP. Ao parar de imprimir o Jornal da USP – sem deixar de informar os seus públicos, mas, ao contrário, informando-os com mais agilidade, mais qualidade e mais vivacidade –, a USP economizará cerca de R$ 500 mil por ano. Isso mesmo: a USP vai deixar de desembolsar meio milhão de reais anualmente. Isso apenas em custo gráfico. As despesas de Correio totalizavam mais R$ 55 mil por ano, e elas também desaparecem a partir de agora.
Mas essa mudança de suporte guarda uma curiosidade, em si muito emblemática: nos últimos anos, a redação vinha recebendo algumas manifestações de leitores justamente questionando a publicação do jornal em papel, em um momento de reestruturação financeira da Universidade. Bastou, contudo, anunciarmos que o Jornal da USP passaria a existir apenas em versão eletrônica para passarmos a receber e-mails de leitores questionando a decisão e dizendo que ficariam com saudades da versão impressa. Se não podemos agradar a todos, pelo menos temos o dever de deixar a todos bem informados.
Afinal, se há um lugar em que é possível fazer mais com menos, esse lugar é a comunicação da USP. A migração radical para as plataformas digitais não vai apenas beneficiar os recursos públicos, mas vai melhorar substancialmente o nível de excelência dos serviços prestados. As razões disso já são conhecidas de todos. Nas plataformas digitais, a sociedade tem mais facilidade de alcançar a informação que acaba de sair das redações, assim como tem também mais facilidade de consultar informações antigas, pois as edições anteriores continuam on-line. As possibilidades de pesquisa são incomparavelmente superiores.
Além disso, o número de pessoas que os conteúdos informativos podem alcançar também sobe exponencialmente. Se um jornal impresso alcança alguns leitores, a publicação na internet, desde que bem feita, pode ampliar imensamente seu público potencial. Para se ter uma ideia, quando nós conseguíamos distribuir 100% de nossa tiragem impressa, tínhamos, no máximo, 10 mil leitores – coisa de 8% da população uspiana, que gira em torno das 120 mil pessoas, entre alunos, professores e funcionários.
Por tudo isso, temos convicção de que nosso passo vai melhorar a vida da comunidade universitária em todos os aspectos. Em todos, todos, menos um. Fica, sim, em cada um de nós, uma ponta de saudade das edições em papel do nosso querido Jornal da USP. Lá se vão 31 anos de história. É muito tempo. A exemplo de muitas outras publicações, tivemos nossos períodos de glória, assim como tivemos períodos de baixa. Acertamos e erramos. Escrevemos, fotografamos, desenhamos e diagramamos edições que nos orgulham, assim como escorregamos de vez em quando. Fundamentalmente, amamos cada passo que demos ao longo desses 31 anos e das nossas 1.103 edições – das quais pouco mais de 800 foram editadas por mim.
Sim, é isso mesmo. Abandonar o papel, depois de 1.103 edições, não é uma decisão indolor. Nem gostaríamos que fosse indolor. Mas ela é necessária, imperiosa, por todos os outros motivos que não sejam este: o nosso apego legítimo ao trabalho ao qual nos afeiçoamos. Aqui, porém, é um daqueles momentos em que o desapego também é um ganho. Dizendo adeus ao papel, estamos dizendo olá para o futuro – e, vendo que publicações de renome como o inglês The Independent e o espanhol El País fizeram escolha semelhante, sabemos que estamos em boa companhia. E já estava mais do que na hora de nos livrarmos do passado dispendioso, que beirava o desperdício de recursos, para embarcar em uma nova realidade veloz, cujas tecnologias nos ajudam a cumprir com mais brilho e eficiência a importante missão da Universidade de São Paulo.
Na semana que vem, a gente se reencontra numa tela eletrônica.