Entre a sala de aula e o mercado de trabalho
ISADORA MARTINS
Semana da Cultura Empresarial, organizada pela Poli Jr., reúne executivos bem-sucedidos e alunos para discutir empreendedorismo, economia, gestão e engenharia
Aproximar os estudantes da realidade do mercado de trabalho. É com esse intuito que a Poli Jr., empresa gerida inteiramente pelos alunos da Escola Politécnica da USP, organizou a Semana da Cultura Empresarial, ocorrida entre 24 e 28 de maio nos anfiteatros do Prédio da Administração e de Engenharia de Produção da Poli.
O evento, que já está em sua 19ª edição, promove palestras e minicursos sobre o tema, abordando questões relativas ao mundo dos negócios e aos caminhos que o engenheiro pode percorrer nesse universo, tanto no que tange à área de produção tecnológica quanto à de gestão. “A Semana de Cultura Empresarial tem foco no aluno da Poli. É a partir de uma pesquisa sobre suas dúvidas e interesses que o evento é pensado e organizado, embora a participação seja diversificada, com pessoas de outras instituições da USP. Muitos dos palestrantes já foram alunos da Escola Politécnica e vivenciaram aquilo que os estudantes estão passando hoje”, explica Daniel Gois Vilela, gerente da Poli Jr. A renda obtida com a venda de ingressos para as atividades será revertida para o Lar Caminho da Criança.
É através da voz dos convidados que possuem ampla experiência no mercado que os alunos antecipam o que adiante os aguarda na vivência profissional. Entre os palestrantes deste ano estavam Robinson Chiba, criador da rede China in Box, que falou sobre empreendedorismo; a vereadora Mara Gabrilli, que aos 26 anos ficou tetraplégica devido a um acidente e cuja trajetória é por si só exemplo de superação, tema de sua palestra; Marco Antonio Bologna, ex-presidente da TAM, que proferiu palestra sobre os desafios da vida executiva; e André Dias, presidente da Monsanto, que falou à plateia sobre problemas ambientais – principalmente a escassez de recursos hídricos – e sustentabilidade.
Também participaram Luiz Gemignani, presidente da Promon, considerada uma das melhores empresas para se trabalhar no País graças à preocupação em motivar e aproximar líderes e funcionários; Gabriel Rico, presidente da Câmara Americana de Comércio, que traçou um panorama da situação do Brasil no mercado econômico global, pontuando vantagens e desvantagens; Hugo Marques, presidente da Método Engenharia, que estabeleceu os passos e desafios em iniciar uma empresa do zero; Luiz Mendonça, presidente da Quattor; e o consultor empresarial Antônio Carlos Teixeira.
Bastidores – Empreendedorismo não é só um dos tradicionais temas da Semana da Cultura Empresarial, mas também prática que se observa nos bastidores do evento e na empresa organizadora. O Movimento Empresa Júnior (MEJ) data da década de 60 na França, chegando ao Brasil quase 20 anos depois. Atualmente, depois de 19 anos no País, o MEJ é o segundo maior movimento estudantil do mundo. Em São Paulo, são registradas 200 empresas juniores, 25% de todas catalogadas em território nacional. A Poli Jr. foi a terceira empresa com esse perfil a ser criada no País – pioneira na área de engenharia.
Sem fins lucrativos, ela visa a transpor o espaço entre o mercado e a realidade empresarial do aluno de graduação. De acordo com Allan Spezzio Costa da Rocha, membro da Poli Jr., “a faculdade nos supre no âmbito técnico, teórico. Isso é, sem dúvida, muito importante, mas ainda falta o conhecimento da prática, do meio corporativo em si, que é o complemento acadêmico que a empresa júnior nos permite”. Jennifer Bistafa Liu complementa: “A Poli Jr. amplia os horizontes para além da sala de aula: permite conhecer as possibilidades de atuação no mercado, gera amadurecimento pessoal, profissional e técnico através de valores como comprometimento, proatividade, liderança e comunicabilidade. Enfim, ela capacita o aluno”.
A Poli Jr. conta com cerca de 130 membros e oferece consultoria para micros e médios empresários que, normalmente, não têm condições de bancar uma consultoria sênior. “Se as grandes empresas ficam restritas entre si, nós impactamos a economia por baixo. Pegamos empresas que têm pouca competitividade no mercado e, por meio de projetos de baixo custo, as colocamos num nível concorrencial mais alto, levando-as ao crescimento e à geração de emprego”, comenta Allan Rocha.
Além da Semana da Cultura Empresarial, a empresa organiza mais dois eventos ao longo do ano: no mês de agosto, em função dos processos seletivos das grandes empresas, acontece o Workshop Integrativo, evento de carreira e recrutamento; e, em setembro, o Ser Empreendedor, uma competição de planos de negócios voltada para os universitários do 4º e do 5º ano da Escola Politécnica.









